"Credibilidade do impresso"

Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (Fevereiro/2017), por Priscila Costa Dourado

Priscila Costa Dourado | 06/04/2017 20:00
FOCA NA IMPRENSA

"Credibilidade do impresso"

Tema: "A última Pesquisa Brasileira de Mídia aponta que os jornais impressos estão na liderança de confiança dos brasileiros como meio de comunicação. A que você atribui o resultado do levantamento diante do amplo consumo de notícias por meio da internet?"

AUTOR(A): Priscila Costa Dourado

Universidade Presbiteriana Mackenzie - 5º período

Embora, o século XXI seja o tempo onde as novas mídias - principalmente, a internet - ganham espaço como meios de comunicação de massa, o impresso ainda se destaca como o de mais credibilidade, como constata na Pesquisa Brasileira de Mídia (2016), na qual, 59% dos entrevistados declararam confiar sempre ou muitas vezes no jornal.

Porém, a que atribuir este fato, uma vez que, o consumo do impresso caiu consideravelmente por conta da internet? Dos entrevistados da PBM, 26% apontam a internet como o espaço onde mais se informam sobre o Brasil e somente 3% das pessoas mencionou o jornal como o meio onde primeiro fazem a consulta.

Considere dois pontos principais que culminam para entender o acontecimento, a credibilidade e o próprio espaço do ambiente digital. E, mais: a internet, mesmo que não seja o meio principal para onde as notícias são produzidas, potencializa o fluxo de consumo das informações noticiosas.

O primeiro fator é o da credibilidade outorgada ao papel e não, exclusivamente, ao jornal. Os escritos, desde que desenvolvidos, foram uma maneira de resguardar informações relevantes das sociedades que deles se utilizaram. Com a prensa de Gutemberg, em meados do século XV, a reprodutibilidade se alavancou, permitindo o aumento da alfabetização e, a partir disto, criou-se um símbolo que se transformou na fonte do conhecimento: o livro. Deste ponto em diante, o papel impresso se tornou a chave da sabedoria e, consequentemente, a notícia impressa foi postulada como a fonte do saber da vida cotidiana. 

Contudo, além disso, o segundo fator determinante é o da bolha informacional, isto é, fala-se de um fenômeno onde o sujeito consome aquilo que converge com sua própria concepção de mundo. De fato, não é algo recente, mas que foi intensificado com o poderio proporcionado pela internet, principalmente, pelas redes sociais. Outros fatores, como o fechamento algorítmico (sistema de programação das mídias sociais) e a internet como espaço para disseminação de opiniões, são derivados deste fenômeno maior.

Mas, uma vez que há um acirramento de consumo, o leitor se sente mais vulnerável a trombar com informações de origem incerta e que estão mais propensas a carregar opiniões embutidas.

A partir daí, ele recorre ao jornal impresso como sua fonte mais segura. Contudo, a avaliação - na maioria das vezes - não é feita com base em princípios críticos, leva-se em conta a própria credibilidade do papel. A bolha informacional culmina para que haja uma baixa confiança nas informações que surgem no interior dos blogs e sites menores (menos de 30% dos entrevistados da PBM, confiam sempre ou muitas vezes nestas fontes) o que explica um público que se volta para os portais das grandes mídias e seus respectivos impressos.