"Mídia precisa ter o papel da desconstrução", diz editor do HuffPost Brasil sobre a Aids

Redação Portal IMPRENSA | 07/03/2017 16:30



IMPRENSA recrutou formadores de opinião - youtubers, vloggers, jornalistas, profissionais de saúde, artistas - para viralizar a informação no 4º Fórum Aids e o Brasil, realizado em parceria com o Ministério da Saúde e o UOL e apoio da UNAIDS.

O segundo bloco do evento, com apresentação da jornalista Marilu Cabañas, focou na “Educação sexual e prevenção na mídia”, com os convidados: Rafael Bolacha (Chá dos 5), Sandra Santos (Fundação Poder Jovem), Dayana Dias Carneiro (Projeto Bem-me-quer) e Diego Iraheta (HuffPost Brasil). 


Confira alguns dos tópicos debatidos ao longo do painel.

Responsabilidade

“Há a responsabilidade da família, a importância do ambiente escolar. Há escolas que, às vezes, não dão abertura para discussão. Alguns professores têm uma luta individual. Muitos me procuram e falam ‘Quero abordar isso na minha aula, de que forma posso fazer?’ Às vezes eles estão passando por cima da direção”. [Rafael Bolacha]

“O Jairo Bouer foi um grande tutor para mim. Assim como o programa ‘Erótica’, da MTV. Vejo a importância da televisão e da internet. Acho que o papel da mídia é de falar com os jovens e as jovens (mulheres), porque são realidades particulares”. [Diego Iraheta]

“Sou de família conservadora. Há pais que tem aquela coisa do ‘não pode’. Ainda existe isso. Eu trabalho com adolescentes e quando falo em reunião de pais, alguns falam que os filhos vão experimentar a sexualidade, mas não querem admitir isso e nem ter essa abertura de conversar com eles. Sentem que estão incentivando. [Dayana Dias Carneiro]

Cobertura da mídia

“Quando lancei o meu livro (Uma Vida Positiva, editora Cidade Viva), fui capa de um dos maiores jornais do Rio de Janeiro. A jornalista quis me encontrar, fazer foto. Ficou duas horas conversando comigo. O título da matéria foi ‘O dia que minha vida acabou’. Eu estava lançando o livro nesse dia, em 2012. Mandei e-mail para ela, dizendo que aquilo era uma frase mentirosa. A pergunta era: ‘O que você sentiu no primeiro momento que viu exame?’. Eu falei que nos primeiros dez segundos pensei isso, mas depois mudei meu pensamento. Falei para ela 'Você está acabando com um projeto inteiro’. Muita gente quer fazer coisa ao vivo hoje por causa da edição”. [Rafael Bolacha]

“Teve uma reportagem chamada ‘Os filhos da Aids’. Um dos personagens era um adolescente, ativista e estava na melhor fase da vida dele. Namorando, trabalhando. A reportagem acabou com ele. Ele abriu a vida dele, queria mostrar o que tinha mudado. Isso foi distorcido e mostrou a pior fase. Ele acabou terminando o relacionamento. Foi muito traumático. Com os jovens que iniciávamos o trabalho de aceitação na época também foi muito difícil. Não somos filhos da aids, somos fruto de um relacionamento de amor e acabou acontecendo de vir soropositivo. Em contrapartida, o Profissão Repórter fez uma matéria maravilhosa, trouxe muitos jovens para procurar ajuda, conselho. A mídia tem esse poder: de trazer o jovem para a realidade, de querer tirar suas dúvidas”. [Sandra Santos]

“Minha melhor entrevista foi com a Marília Gabriela. Foi respeitosa. Hoje não existe mais o programa, mas toda semana vem alguém falar que viu o vídeo na internet. Quando é feito de uma forma boa, vai replicar. A grande mídia ainda tem uma barreira muito grande”. [Rafael Bolacha]

“A imprensa tem que ter, além do papel da prevenção, o da desconstrução. O Rafael Bolacha faz muito isso - usa humor para falar de HIV, o que já quebra uma expectativa. É sério, mas pode ser levado com leveza. Quando entrevistamos, em 2015, o Gabriel Estrela, que havia descoberto recentemente que era soropositivo, o título foi ‘Ele é positivo’. A ideia é de positividade. Mostra a narrativa dele, de choque primeiro, achar que vai morrer e superar a expectativa”. [Diego Iraheta]

Confira a cobertura completa no site.

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