"A política da corrupção"

Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (Janeiro/2017), por Adrieli Prêto Fiorani

Adrieli Prêto Fiorani | 16/01/2017 14:00
FOCA NA IMPRENSA

"A política da corrupção"

Tema: "Retrospectiva 2016 - Qual o assunto que mais movimentou a mídia ao longo do ano?"

AUTOR(A): Adrieli Prêto Fiorani

Centro Universitário Toledo - 5 semestre

Política e corrupção passaram a ser sinônimos no vocabulário do brasileiro. Em meio a um cenário político conturbado em 2016 e tão comentado pelas mídias, com a divulgação diariamente de esquemas de desvios de dinheiro, superfaturamento em obras e tantos outros crimes cometidos por aqueles que foram eleitos para nos representar, torna-se difícil distinguir palavras que estão sempre atreladas.

Segundo uma pesquisa publicada em 2015 pelo World Justice Project, uma organização independente que elabora um estudo para classificar os países de acordo com o índice do Estado de direito dos 19 países verificados da América Latina o Brasil aparece na 5° posição com 0,54 em um ranking que vai de 0 (muito ruim) a 1 (muito boa). Uma colocação considerável, já que em um país onde o Estado de direito é fraco as leis são executadas de formas diferentes, as políticas públicas não abordam os que mais precisam e a violência é demasiada, para não se dizer um caos literalmente. 

Outro fato que leva a população a agregar tanto essas duas palavras é a perca de credibilidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Como acreditar que a justiça possa ser feita se desde 1988, ano em que a atual Constituição entrou em vigor, dos mais de 500 parlamentares investigados, apenas 16 congressistas que estavam no exercício do mandato foram condenados por seus crimes de corrupção. Um número desprezível em relação a tantos casos noticiados cotidianamente em 2016 e ainda presentes em 2017.

O Estado, porém não pode ser visto de uma forma preconceituosa, conforme a filósofa Hannah Arendt, especialista nos estudos de regimes autoritários como o fascismo e nazismo, a política baseia-se na pluralidade do homem, no debate e na diversidade de ideias. Assim, quando o político pratica a corrupção, pensando apenas no seu próprio interesse ou benefício, há uma ausência da ciência de governar, ou seja, não está desempenhando a política.

Outro fato também é que para criticarmos precisamos ser melhores. Não adianta levantarmos a bandeira de defensores da integridade se furamos a fila no banco, por exemplo, ou se damos o nosso famoso "jeitinho brasileiro", citado pelo antropólogo Roberto Damatta em seu livro "O que faz o Brasil, Brasil?" no qual diz que o brasileiro tem a capacidade de improvisar soluções para proveito próprio, às vezes até burlando a lei para conseguir aquilo que deseja.

O comodismo da população em apenas reclamar não leva a alterações significativas no cenário brasileiro, devemos ao invés de apenas falar, pesquisar , procurar compreender, analisar, para que com propriedade possamos ajudar com consciência a reconstruir o governo e incitar novos projetos e cobrar mudanças daqueles que começaram a nos representar desde o dia primeiro de janeiro.