"Na era das redes sociais: fato ou boato?"

Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (Dezembro/2016), por Pablo de Oliveira Lopes

Pablo de Oliveira Lopes | 16/01/2017 14:00
FOCA NA IMPRENSA

"Na era das redes sociais: fato ou boato?"

Tema: Boatos e notícias - Como jornalista e leitor podem evitar a divulgação de histórias falsas?" As redes sociais intensificaram a propagação de boatos na internet e, nos últimos anos, foram criados sites que verificam informações circuladas na rede. Qual é o papel do público e do profissional de imprensa para diferenciar o que é boato e o que é notícia? 

AUTOR(A): Pablo de Oliveira Lopes

Universidade Anhembi Morumbi - 2º período

Publicar fotos nas redes sociais, emitir opiniões, sair do anonimato e experimentar a sensação de ser jornalista por um dia. Muitos usuários do Facebook do Twitter e do Instagram fazem deles seus veículos de comunicação. Proprietários de suas contas, detentores de suas próprias timelines, muitos divulgam o que querem e dão palpite sobre o que bem entendem. 

Poder dar um "furo de reportagem", superar o concorrente e ganhar mais seguidores no blog. Que tal clicar uma celebridade em situação comprometedora e divulgar a imagem em um site sobre famosos? E o que dizer sobre a chance de denunciar um político por suposto envolvimento em mais um escândalo de corrupção? Sonhos de muitos jornalistas.

Mas tudo que se publica é verdade? A internet deu voz e coragem a muita gente. Se antes cabia ao jornalista o papel de informar, de distribuir notícias e conferir notoriedade a fatos de interesse da sociedade, agora, é de domínio público o direito de propagar fatos e boatos. Munidos da valentia que um teclado e uma tela de notebook conferem ou tomados pela comodidade de escrever usando o smartphone, muitos opinam sobre assuntos que não dominam, transformam inocentes em culpados, acusam sem provas e espalham fofocas sobre atores, atrizes e astros da música. 

A traição que não existiu? O adultério que não passa de uma farsa, mas que rende milhares de comentários de quem lê? É isso que vale para diversos usuários da internet. Para conquistar esse público, há quem se proponha a forjar dados e a inventar acontecimentos. Tudo para aumentar o número de leitores de uma página e ampliar assim o universo de seguidores. 

Liberdade de expressão e irresponsabilidade se confundem, apesar de não terem o mesmo significado, e ocuparem verbetes bem distantes nos dicionários da língua portuguesa. Ausência de censura e falta de bom senso não combinam. Ter liberdade para expressar pontos de vista implica em assumir a responsabilidade sobre o que se propaga. 

Antes de conferir autenticidade a uma informação, transformando-a em fato e elevando-a à categoria de notícia, é preciso colocar em prática o bom e velho jornalismo. É dever do repórter checar, apurar, ouvir fontes e cercar-se de substrato para publicar um texto. A enxurrada de informações não pode arrastar o profissional que tem como missão preservar os critérios de noticiabilidade e os valores éticos. Divulgar boatos e dar vez ao sensacionalismo pode custar a credibilidade de um jornalista. 

Aos que não exercem o jornalismo, mas que também são formadores de opinião, cabe ter mais cuidado. Mesmo que a vontade de receber "curtidas" e tornar-se popular nas redes sociais seja enorme, é preciso conter o ego. Verificar a veracidade de um artigo ou fotografia é o mínimo que se espera antes de fazer mais um post.