BuzzFeed Brasil celebra três anos de expansão constante em novo escritório

Alana Rodrigues | 29/11/2016 16:30

Do elevador panorâmico é possível observar os edifícios que cercam uma rua arborizada de Pinheiros, um dos bairros mais antigos da capital paulista. No nono andar, a alguns passos do corredor, uma parede lateral tomada por um vermelho vibrante revela, em letras brancas, que o escritório pertence a uma das primeiras organizações de notícias sociais do mundo. Criado nos Estados Unidos em 2006, e lançado sete anos depois em território brasileiro, o BuzzFeed Brasil celebra três anos de expansão constante em um novo escritório.

A redação espaçosa, com detalhes em vermelho e amarelo, recheada de adesivos dos selos que acompanham os posts do site, é inspirada no escritório americano. O espaço abriga 26 profissionais que levaram o portal a alcançar a terceira maior audiência dos dez países em que está presente. Na sala de reunião, onde a equipe também se comunica com os parceiros internacionais, a editora Manuela Barem recebeu IMPRENSA para falar do crescimento do time em São Paulo, os marcos conquistados e os planos para os próximos anos. Além dela, o diretor de estratégia de marca, Bruno Belardo, comentou sobre a influência do modelo comercial do BuzzFeed. Confira:

Crédito:Divulgação
Equipe do BuzzFeed Brasil no novo escritório

IMPRENSA: O que o novo escritório representa para o BuzzFeed Brasil?  
Manuela Barem: A gente trabalhou o ano inteiro na implantação desse escritório novo, fazendo conta de expansão de equipe, de futuro, para poder chegar num número e num lugar que fosse legal. O prédio é super iluminado, good vibes, bem o que a gente estava buscando. E tem esse formato de ser tudo aberto. É a primeira vez que as equipes estão se vendo no dia a dia. É um momento muito importante para nós. Antes, estávamos em salas separadas. Não nos víamos tanto. Hoje, temos no mesmo andar a equipe de News, de entretenimento, Business. Essa mudança para cá coroa o final de um ano muito bom que tivemos. Esse foi o ano que o BuzzFeed mais cresceu no Brasil. Foi um marco. Abrimos a área de Business. Até então, não tínhamos um diretor de vendas com uma equipe só para tratar de vendas e os negócios do BuzzFeed no Brasil; abrimos a editoria de notícias, que é um passo muito grande e muito maduro para nossa edição aqui; e ainda as páginas Tasty Demais e Nifty Brasil. Além disso, expandimos a equipe de entretenimento. O escritório novo também passa uma mensagem para a nossa equipe, para os nossos leitores, para o público e para o mercado, de que o BuzzFeed está criando raízes ainda mais profundas e fortes no Brasil. É um momento de celebração para nós. Estamos muito felizes.

Quantas pessoas compõem a equipe do BuzzFeed hoje?
No começo de dezembro teremos 29 pessoas na equipe. Vamos ter mais três de Business. Estamos em uma expansão constante no Brasil. Já temos noção de que terão novas contratações no primeiro semestre do ano que vem. Ainda não sabemos precisar quantas pessoas em qual mês. Mas desde quando o BuzzFeed abriu no Brasil, não tivemos um semestre sem contratação, o que reflete nosso ganho de audiência e relação com os leitores. 

Qual balanço você faz desses três anos do BuzzFeed no Brasil? Qual é a audiência do site atualmente?
Meu balanço é positivo, não só para mim, mas para a rede inteira. O BuzzFeed está em outros dez países. Hoje, a edição no Brasil tem a terceira maior audiência. Perde para os Estados Unidos, que é massivo e enorme. E depois UK, sendo que os dois são de língua inglesa. Então, o BuzzFeed Brasil é a menina dos olhos do BuzzFeed em geral. Pessoalmente, é a maior experiência até hoje na minha carreira. A mais importante. Começar, há três anos, com três pessoas e poder ver um escritório enorme e bem estabelecido, uma voz e uma marca tão bem estabelecida. Os leitores reconhecem muito a gente e, com o tempo, saímos do nível de heavy user da internet para nos tornar uma marca popular. Estamos em busca de expandir cada vez mais e temos a consciência de que temos um bom alcance local. O balanço também é positivo pelo fato de poder trabalhar com o mercado brasileiro. Trazer um produto de fora, aplicar no Brasil, e ver como tem tanto potencial para a internet. Nosso mercado é tão interessante para formatos como o do BuzzFeed, que apostam mesmo nas redes sociais, na forma como as pessoas estão usando a tecnologia para se comunicar, para se conectar, desenvolver um trabalho tão legal de comunicação que vai desde o entretenimento até assuntos sérios e profundos, como política. É uma experiência muito interessante. 

A estratégia do BuzzFeed passou a exercer influência em portais e sites jornalísticos, que também têm feito publicações mais informais como listas, memes e vídeos humorísticos. A que você atribui o sucesso do BuzzFeed?  
Conforme a gente começa a desenvolver um trabalho local que começa a ir longe não tem como os outros veículos não prestarem atenção e perguntar: 'Por que esse link apareceu tantas vezes na minha timeline? Por que tem um milhão de views? Que segredo tem aqui? Como a gente pode aprender com esse formato? Será que conseguimos repetir para o nosso veículo?'. Isso acontece desde a mídia tradicional até em blogs menores que também tentam ir na nossa onda, aprender alguma coisa com a gente. Eu já vi um impacto do BuzzFeed até no ‘Big Brother Brasil’. Ser reconhecido como parte da internet é uma coisa muito legal. E ainda que isso adicione uma camada de competição, é um feedback do mercado, dos nossos concorrentes. É positivo por diversos motivos - desde essa questão de ser um feedback de que talvez a gente esteja acertando em alguma coisa, como o fato de que se as pessoas já entenderam o formato e ele está copiável, é sinal de que precisamos sempre manter o foco na experimentação e inovação, que são os dois segredos da fórmula do BuzzFeed, não só no Brasil, mas na marca, no site inteiro. Faz com que a gente sempre busque se superar e inovar para fornecer o melhor conteúdo para as pessoas.

Qual é a média diária de posts?
Em média, dois por pessoa da equipe e as traduções. Temos um equilíbrio entre posts que são originais e os traduzidos. Publicamos entre 30 e 40 conteúdos por dia.

Como vocês olham para os assuntos "mais sérios". Qual é a frequência e o retorno de posts nesse tom? Essas notícias têm a mesma audiência que as publicações voltadas para o entretenimento? 
A decisão de abrir uma editoria de News, de Notícias, acontece sempre quando a gente considera que uma edição está madura, quando temos uma base de leitores constante. E mesmo no entretenimento, os temas mais sérios sempre permearam o nosso editorial. Falamos de causas do tipo LGBT, feminismo, racismo, de questões de saúde mental, de imagem corporal, do entendimento do corpo. Faz parte da linha editorial do BuzzFeed e também da edição no Brasil. Percebemos que havia muito espaço para conversar sério. E, por isso, alcançando essa maturidade, resolvemos abrir a editoria. Fundamos o News no Brasil trazendo a contratação do Graciliano Rocha, que era da Folha, e é considerado um dos principais repórteres de Lava Jato no país. E a equipe de fundação que veio com ele é formada pelo Alexandre Aragão (ex-Folha) e a Tatiana Farah (ex-O Globo). Os três são baseados aqui em São Paulo. O News começou em maio deste ano, então, ainda é um projeto bastante recente. A primeira expansão desde a equipe de fundação foi a contratação do Severino [Motta], que vai ficar baseado em Brasília. Ele tem uma primeira semana aqui, de treinamento, e depois já volta para trabalhar como correspondente de lá. Ter um correspondente é um passo muito importante para uma equipe que está começando. E o público, desde o começo, já conhecia que o BuzzFeed News nos EUA, que é um lugar onde podem conseguir informação relevante e com um bom timing, que comunica de um jeito que parece a forma como as pessoas conversam, de uma forma descomplicada, sem burocratizar o acesso à informação. Nas primeiras semanas que abrimos as redes sociais do BuzzFeed News BR, no Twitter e no Facebook, teve uma aderência de gente indo para essas redes sociais em massa. Isso denuncia que é um canal que as pessoas estavam esperando para seguir. A gente tem tido uma produção intensa com relação ao noticiário que está na timeline das pessoas. Temos coberto Lava Jato, fizemos uma cobertura intensa de eleições, trabalhamos, inclusive, com alguns formatos arrojados, que a gente não viu na própria imprensa local ainda. Fizemos Live-tweeting de convenções de partido no local, vídeos com candidatos, com políticos, repercutindo questões do dia no Twitter. Tivemos muitos casos até agora de debunking, quando você tem uma notícia falsa em massa sendo compartilhada ou uma informação incorreta sendo compartilhada por todos os lados e a gente faz um trabalho minucioso de apuração para mostrar porque não é verdade. Também organizamos essa informação. Temos tido experiências muito interessantes, furos. É um noticiário muito competitivo e que já está virando de referência.  

Quais são os planos de investimento para os próximos anos? 
Vamos continuar a expansão no Brasil, investindo em diversas áreas, trazendo conteúdo de ponta e de novos formatos, tanto na parte de entretenimento quanto na parte de notícias, porque estamos numa busca constante para conectar as pessoas e criar conexões entre elas, seja na parte de jornalismo tradicional, seja na parte da diversão, coisas que as pessoas adoram compartilhar com os amigos, com os familiares. Isso, na prática, significa contratar mais gente, capacitar melhor a nossa equipe, oferecer, cada vez mais, ferramentas e oportunidades de estudar e aprender. Temos muitos treinamentos que acontecem, às vezes mensalmente, outras anualmente, de várias áreas. O redator que chega, por exemplo, não sabe fazer um gif, necessariamente. Todo mundo passa por esse treinamento. A nossa intenção é tentar sempre expandir para a nossa audiência, tanto em número, porque o número demonstra até onde estamos chegando, quanto em temas que a gente consegue cobrir. Começamos eu, a Clarissa [Passos] e o Rafael Capanema, com muito foco em gerar conversas que mostrassem que o BuzzFeed estava no Brasil, falando para brasileiros, com uma voz muito brasileira, falando de cultura brasileira e de uma forma que as pessoas pudessem se identificar. Depois de um tempo, conseguimos falar de assuntos um pouco mais sérios, trazer a questão da saúde mental, que é uma bandeira do BuzzFeed pelo mundo, e ter a cobertura de social news, que são as notícias curtinhas que circulam nas reações do Facebook quando alguém fala alguma coisa na TV ou quando um político posta alguma coisa numa rede social. Fomos, com o tempo, caminhando para outras áreas. Temos hoje, por exemplo, um redator especializado em conteúdo LGBT. Quanto mais a gente cresce, mais conseguimos cobrir outros assuntos. Nossa intenção é continuar expandindo para esses lados para levar mais informação e entretenimento para as pessoas.

Quais são as principais fontes de receita? Vocês falam em números? 
Bruno Belardo: Nós vendemos soluções de conteúdo nativo em diversos formatos (literários, videos, etc.) alinhadas sempre com as necessidades de cada cliente.

A influência do BuzzFeed também não é apenas editorial. O modelo comercial do site, de publicar conteúdo pago também influencia os veículos de comunicação digital, que ainda buscam formas de monetizar seu conteúdo. Como você vê essa influência?

Bruno Belardo: Nós entendemos que as marcas devem se relacionar com as pessoas com um contexto humano, exercendo sempre a empatia que é o elo mais forte nas relações humanas. Por essa razão, quando se vê algum conteúdo direcionado para públicos específicos como canhotos, paulistas ou pessoas em um relacionamento, a identificação que esse conteúdo causa em cada um desses grupos faz com que o compartilhamento seja sincero tornando o conteúdo poderoso e de grande alcance.




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