"Temos que fazer uma autocrítica das eleições", diz diretor de conteúdo do UOL

Redação Portal IMPRENSA | 11/10/2016 18:30



Na última sexta-feira (7/10), IMPRENSA, em parceria com o UOL, realizou uma reunião de pauta especial com jornalistas de diversos veículos de comunicação. Durante o encontro, os profissionais debateram a cobertura do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o “pós” impeachment, desafios dos veículos em período eleitoral, a crença na independência dos meios de comunicação, entre outros tópicos.


O evento contou com a participação de Rodrigo Flores (UOL), Heródoto Barbeiro (Record News), Joyce Pascowitch (Grupo Glamurama), Moisés Rabinovici (blog Escritos com a Pele), Pedro Venceslau (Estadão), e Sinval de Itacarambi Leão (diretor de IMPRENSA).


Crédito:Alana Rodrigues
Moisés Rabinovivi, Sinval Leão, Rodrigo Flores, Joyce Pascowitch, Heródoto Barbeiro, Pedro Venceslau e Gabriela Ferigato

A cobertura completa – dividida em blocos temáticos –  fará parte do hotsite especial "IMPRENSA 30". Saiba mais sobre o projeto no link

Confira trechos do que foi discutido no dia:

Heródoto Barbeiro – Nós estamos vivendo uma revolução tecnológica e digital que está atingindo o mundo inteiro, e não é só a chamada mídia tradicional que está sofrendo a mudança. Temos que nos acostumar que a mídia tradicional não é mais a dona da opinião pública. Houve uma quebra de paradigmas. Eu não acho ruim que as pessoas sejam editoras, não acho ruim que sejam pesquisadoras. Acho ótimo. É o aprofundamento da democracia. Isso é um avanço e não tem volta.

Joyce Pascowitch – A imprensa não perdeu a credibilidade. Apenas mudaram as plataformas. O público tem mais voz. Acho que está mais democrático o processo todo.

Heródoto Barbeiro – Temos sido mais explicativos, mais didáticos. A opinião dos entrevistados prevalece. Tudo como forma de acrescentar em cima de tudo aquilo que já foi publicado. 

Moisés Rabinovici – É muito difícil nessa selva que nos encontramos dizer que o jornalismo será assim, a pauta será essa. O que há para fazer nesse momento? Como abordar hoje nesse novo mundo do jornalismo em que as matérias grandes não são lidas.

Política

Joyce Pascowitch – Acho que as pessoas ficam curiosas para saber o que acontece no dia do impeachment, o que aconteceu fora dali. Não vejo isso como entretenimento ou como celebridade. Trabalhei a vida inteira cuidando de bastidores. Vejo que até hoje no Glamurama tudo o que é bastidor estoura. Se você descobre algum bastidor de uma cena política isso é um pico de audiência. 

Rodrigo Flores – Temos que fazer uma autocrítica muito severa em relação à cobertura das eleições. Cadê a grande matéria antes das eleições que explicaria, anteciparia a derrota do PT em absolutamente todos os bairros periféricos da cidade? O discurso sempre foi de historiador, olhar para trás e dizer aqui é cinturão vermelho. Se a imprensa tivesse feito um bom papel isso de alguma forma tinha se previsto. Fomos surpreendidos pelo mapa do TSE.

Pedro Venceslau – O problema da eleição municipal é escolher quem cobrir. As redações hoje estão menores, não tem mais braço para cobrir como antigamente. O desafio é saber separar o joio do trigo. Porque as campanhas incorporavam, como parte de seus orçamento, havia gente lá produzindo conteúdo para atacar o adversário. E ia fornecendo esse conteúdo por debaixo dos panos para o repórter. Querem pegar a notícia para transformar em publicidade eleitoral. 

Rodrigo Flores – O país se polarizou bastante. O UOL foi um dos veículos que decidiu ficar no meio. E ao ficar no meio você apanha muito. É muito difícil. A busca pelo meio é fundamental. 

Moisés Rabinovici – Acho que o caminho nem é o do meio. O equilíbrio se faz com transparência, honestidade e ética. O NYT formalizou seu apoio a Hillary Clinton em editorial. Mas no noticiário continua sendo isento. Cobrindo os dois lados. 

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