Coleguinhas: Jornalista coleciona histórias como motorista da Uber

Redação Portal IMPRENSA | 12/08/2016 15:00
Após passar por crises de estresse forte e de pânico, a jornalista Carol Rocha decidiu deixar o ambiente agitado das redações. Até março do ano passado, ela trabalhava no Diário de S.Paulo. Também já passou por veículos como Terra, Grupo TV1, além de colaborar para as revistas Adnews e One Health Mag.
Crédito:arquivo pessoal
Ao ver sua mãe pesquisar sobre a Uber - empresa multinacional americana de transporte privado urbano - ela se interessou pela plataforma e há quatro meses se inscreveu para trabalhar na categoria Uber Black.

"A Uber me ajuda a distrair a cabeça (adoro dirigir e conheço gente nova sempre que saio) e garante uma ajuda financeira - não me sustenta totalmente, mas quebra um galho", explica ela, que também faz freelas como revisora e em um jornal trimestral de uma construtora de médio porte.

Carol dirige de três a quatro vezes por semana, durante cinco horas por dia. Não tem uma rotina fixa, o que acha mais interessante no trabalho. Às vezes, sai durante o dia. Em outras, à noite. Faz o seu horário e não é obrigada a prestar o serviço diariamente.

Ela conta que a maioria dos passageiros é bacana. As mulheres sempre a questionam se não tem medo de fazer as corridas, mas, para ela, o aplicativo passa certa confiança. “Alguns gostam de conversar, saber se tenho outra profissão, por que virei Uber. Outros já entram no carro digitando no celular, sem parar, aí eu nem puxo papo", relata.

Histórias não faltam à jornalista. Certa vez, levou um cabeleireiro famoso que a mostrou conversas íntimas com a atriz Claudia Raia pelo WhatsApp. Depois de descobrir a profissão de Carol, começou a criticar uma colunista da Folha. "No fim, me desejou boa sorte e disse que eu era guerreira (por trabalhar como motorista)".

Também já pegou dois passageiros executivos que conversaram o caminho inteiro em inglês sobre as casas de prostituição na capital paulista. Depois de algum tempo da conversa sobre o assunto, um deles perguntou se ela falava o idioma. Ficou sem jeito ao receber a resposta positiva, pediu desculpas e frisou: "Nem todos os gringos são assim, tá?".

"Eu dou 5 estrelas para quase todos os passageiros (o passageiro avalia o motorista, mas o motorista também é obrigado a avaliar o passageiro). Só diminuo a nota quando me tratam mal ou são muito arrogantes. Isso aconteceu umas duas vezes apenas".

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