“Ainda é pouco”, afirma presidente do CPB sobre apoio da iniciativa privada

Gabriela Ferigato | 28/06/2016 15:30


Em setembro deste ano, o Brasil receberá 4.350 atletas paraolímpicos de 170 países. Desse número, cerca de 260 são brasileiros que disputarão 22 modalidades diferentes de esportes. De acordo com Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), 98% do orçamento da organização vêm de fontes públicas, ou seja, a participação da iniciativa privada ainda precisa avançar. “Quando você deixa de se comunicar com esse público, que são consumidores, você perde a oportunidade de dialogar com eles”, ressalta. 

Crédito:divulgação
Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)
IMPRENSA – Como o CPB atua para levar conhecimento à mídia sobre classes, regras, equipamentos?
Parsons – A área de comunicação do CPB sempre disponibiliza informações para os veículos. Não só histórias, personagens, mas também informações explicativas. Antes de grandes coberturas, também fazemos uma série de workshops. Quando fomos para Londres e Pequim fizemos workshop com as redes de televisão, jornais e sites que estavam credenciados para falar quais são os personagens brasileiros, estrangeiros, o que é classificação, para que que serve etc. Tudo isso para chegarem lá com boa bagagem e dúvidas tiradas. Usamos muito as redes sociais, Twitter, Snapchat, Instagram, Periscope. Já são mais de duzentas mil curtidas em nossa página no Facebook. Incentivamos os atletas a usarem também e promovemos media training sobre as melhores práticas nas mídias sociais.

O apoio oficial e empresarial aos esportes paraolímpicos ainda enfrenta muitas barreiras? 
A gente tem um grande patrocinador, a Caixa Loterias. É um patrocínio bastante robusto de R$ 120 milhões no quadriênio, o mesmo patrocínio que dão ao Corinthians, por exemplo. Temos a Braskem que agora entrou no atletismo. Paraolímpico é um movimento, quando a iniciativa privada conseguir entender e segmentar o que eles querem, se isso se confirmar como uma tendência, será extraordinário. Nem todo mundo consegue apoiar como a Caixa, mas entrando em áreas especificas o valor é menor e tem mais recursos para ativar seu patrocínio. Que é o que a Braskem fez com campanhas em aeroportos, televisão etc.

Do total do orçamento de vocês, quanto vem de fontes públicas?
98% do nosso orçamento vêm de fontes públicas – Caixa, Governo do Estado de São Paulo, Município do Rio de Janeiro. De privado, temos a Braskem e a Nike com material esportivo. Ainda é pouco. Estamos falando em confederações, atletas individualmente. É um movimento. Se tivéssemos a iniciativa privada segmentada, daria um reforço gigantesco. Eles precisam entender que há mais de 45 milhões de pessoas com deficiência. Quando você deixa de se comunicar com esse público, que são consumidores, você perde a oportunidade de dialogar com eles.

O número de ingressos comercializados ainda está longe da meta estipulada pelos organizadores?
Sim, mas sabemos que o brasileiro compra na última hora e isso vai muito ali, na segunda parte dos Jogos Olímpicos. O ingresso não está caro, o Brasil vai começar a ganhar competições e imaginamos que isso irá impulsionar bastante as vendas. Os Jogos Olímpicos também enfrentam desafios. Tem o humor do país que afeta bastante.

Fórum Cobertura Paraolímpica

O “Fórum Cobertura Paraolímpica”, idealizado por IMPRENSA com o apoio do curso de jornalismo da ESPM São Paulo, aconteceu no dia 24 de junho. Confira a cobertura completa do evento e mais informações sobre os Jogos Paraolímpicos em nosso site.

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