Em meio a grave crise, Grupo Ejesa demite 11 jornalistas de "O Dia" e "Meia Hora"

Alana Rodrigues* | 01/06/2016 12:00
Diante de atrasos salariais, corte de benefícios e a paralisação de atividades, o grupo Ejesa, proprietário dos jornais O Dia e Meia Hora, decidiu cortar pelo menos 11 funcionários de suas redações. IMPRENSA apurou que os cortes afetaram outro setores dos veículos, que perderam secretárias e até office-boys.

Crédito:Reprodução
Grupo Ejesa reduz equipes em meio à grave crise

Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, as demissões ocorreram na última segunda (30/5) e terça-feira (31/5). A entidade destaca que a medida fere a lei, já que os trabalhadores estão em greve há duas semanas. 

Os funcionários podem, de acordo com a assessoria jurídica do Sindicato, ingressar na Justiça do Trabalho com ações individuais ou coletivas para reivindicar a reintegração no emprego e indenização por danos morais.

Jornalistas d'O Dia e Meia Hora decidiram iniciar a greve no último dia 23 de maio, em protesto aos recorrentes atrasos salariais. Os funcionários ainda não receberam o 13º salário, as férias e não estão com os depósitos de FGTS e INSS em dia. Além disso, o plano de saúde e o pagamento do vale-refeição foram suspensos.

Outros cortes

Um dos dispensados foi Aziz Filho, diretor de redação d'O Dia e Meia Hora desde junho de 2012. Ele deixou a equipe no último dia 24 de maio. À IMPRENSA, ele contou que foi dispensado por "cortes de despesas" para equilibrar as contas. Os cortes teriam começado pelos salários mais elevados.

Aziz Filho também comentou sobre o período em que colaborou para as publicações. "Foi muito difícil e, ao mesmo tempo, honroso por ter participado do esforço que a redação tem feito para que o jornal siga presente no mercado do Rio. Espero que a redação se fortaleça para tentar crescer mais adiante. Desejo bastante sorte a todos que ficaram e que todo o novo comando da empresa seja bem-sucedido. Os jornalistas e o Rio de Janeiro precisam disso".

Também deixaram o título o diretor de Arte André Hippert, o editor-executivo Roberto Pimentel, a editora de Economia Eliane Velloso, a editora de moda Marcia Disitzer, os colunistas Fernando Molica, Regina Rito e Nelson Vasconcelos, a jornalista Maria Luisa Barros, e Nathalie Chianello, secretária de redação do jornal e funcionária há 18 anos.

Alguns dos jornalistas usaram suas redes sociais para comentar o assunto. "O DIA não está anoitecendo porque há gente lá ainda com capacidade de fazê-lo brilhar. Muitos amigos queridos e talentosíssimos que carregam com eles a força e o DNA do jornal lutam diariamente para levar as bancas o melhor jornal. Não esquecendo nunca que não é só O DIA!!!! Temos o bravo Meia Hora que briga de igual para igual com os maiorais da parada. O pulso ainda pulsa por lá", escreveu Hippertt.

"Obrigado a todas, a todos. E, trocando em miúdos, mais uma vez recorro ao Chico que nos traduz, resume e ilumina: Eu bato o portão sem fazer alarde/ Eu levo a carteira de identidade/ Uma saideira, muita saudade/ E a leve impressão de que já vou tarde", agradeceu Molica.

"Foram 18 anos e 11 meses, mas hoje Deus encerrou o meu ciclo de Jornal O DIA. Vivi muitas alegrias, vibrei com vários prêmios de amigos queridos, enfim só tenho a agradecer a todos pelos anos que estive num ambiente tão maravilhoso e agradável. Aos amigos que ficam, meu grande carinho e estima, espero ter correspondido a expectativa de todos. Sentirei muitas saudades", completou Nathalie.

Procurado, o grupo Ejesa não retornou aos contatos da reportagem.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.

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