"A imprensa assumiu o papel de ser o partido", diz Lula a Glenn Greenwald

Redação Portal IMPRENSA | 11/04/2016 14:30
No último domingo (10/4), foi ao ar a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao site The Intercept, dirigido pelo ganhador do Pulitzer Glenn Greenwald.

Durante a conversa, Lula falou sobre o processo de impeachment de Dilma Rousseff, Operação Lava Jato e crise econômica. Greenwald também discutiu com o ex-presidente o papel da mídia brasileira. De acordo com o jornalista, a imprensa tem incitado protestos e pressionado a saída de Dilma. Ele se disse "chocado com a mídia aqui".

Crédito:Reprodução
Ex-presidente comentou sobre papel da mídia no Brasil

Em resposta, Lula disse que os principais veículos do país, entre eles Veja, Globo, Estadão, "fingem ter imparcialidade, mas na realidade, agem como a principal ferramenta de propaganda". 

Para o ex-chefe de Estado, "o controle das organizações da mídia, por poucas famílias é um perigo para a democracia.  "Você tem três jornais, tem revistas, e os canais de televisão que fazem oposição aberta ao governo. Convoca passeata, convoca protesto. Estão estimulando o ódio". 

Lula acredita que a oposição e a grande mídia não aceitaram a derrota nas urnas em 2014 e, em razão disso, "continuaram no palanque até hoje". "Como o partido é frágil, a imprensa assumiu o papel de ser o partido. Isto é grave, isto é um risco para a democracia".

Regulação da mídia

O ex-presidente ainda falou sobre o anteprojeto de regulação da mídia, que havia deixado pronto em 2010, após a conferência nacional de comunicação. "Nós preparamos um anteprojeto de regulação, que poderia ser modelo americano, modelo inglês, modelo francês. Nada de modelo Cuba, modelo China. Ou seja, lamentavelmente não foi encaminhada ao Congresso Nacional porque a nossa regulamentação é de 1962".

Lula defende a necessidade de uma nova regulação, visto que em 1962, quando foi aprovada a lei em vigor sobre a mídia, ainda não existiam internet, TV digital, satélite etc. Porém, acredita que outros interesses inviabilizam essa discussão.

"A nossa regulamentação é de 62! E eles não querem mudar! Olha, então eu penso que esse é um tema, é um debate que vai voltar".