Grupo britânico lança jornal com enfoque otimista e divide opiniões de jornalistas

Redação Portal IMPRENSA | 01/03/2016 18:00

O grupo editorial Trinity Mirror lançou, na última segunda-feira (29/2), o jornal The New Day, o primeiro diário britânico lançado em 30 anos, com a proposta de prezar por um enfoque alegre, otimista e politicamente neutro. 

Crédito:divulgação

"Nós seríamos completamente insanos se estivéssemos lançando apenas mais um outro jornal. Mas não é. Sim, temos notícias e somos de papel (de alta qualidade, cor branco neve e grampeado). Mas as similaridades terminam por aí", defende o anúncio na página 2.


Na estreia, o diário, publicado apenas na versão impressa, traz diversas notas curtas, um relatório sobre cuidadores de criança no Reino Unido, um texto sobre o romance de duas estrelas da música pop britânica e outro do primeiro-ministro David Cameron sobre o plebiscito para decidir se o Reino Unido permanece ou sai da União Europeia.


O New Day circulará de segunda a sexta. Na manhã da última segunda, ele foi distribuído gratuitamente, mas custará 25 centavos de libra (cerca R$ 1,50) nas primeiras duas semanas, valor que será reajustado para 50 centavos (R$ 3).


Em entrevista à Folha de S.Paulo, o professor de jornalismo George Brock, da City University, disse que há uma grande quantidade de leitores mais jovens que não costumam comprar e ler jornais. Ele acredita que o público-alvo será jovem, urbano e que se desloca, preferencialmente, de trem e metrô, principalmente para ir ao trabalho.


Já o professor James Curran, da Universidade Goldsmiths, observa que o principal aspecto dos impressos britânicos é adotar uma linha editorial bem definida e declarada. "Jornalismo neutro — o gênero que o novo título diz almejar — é dominado pela televisão e seus websites", afirmou.


O futuro da nova publicação já divide opiniões. "A estrada está repleta de carcaças de impressos lançados desde os anos 1980. O único diário nacional que foi bem sucedido foi o Independent e ele agora está quase morto. Infelizmente, este projeto provavelmente não dura mais de dois anos, no máximo. Espero que eu esteja errado", disse Curran.


George Brock, entretanto, é mais otimista. Ele vê oportunidades na mídia impressa e reitera que produtos como livros, revistas e periódicos semanais e mensais ainda têm espaço no país. 

 

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