Jornal publica falsa entrevista com Leonardo Sakamoto; jornalista estuda acionar a Justiça

Alana Rodrigues* | 03/02/2016 10:30
O jornal mineiro Edição do Brasil publicou no último dia 30 de janeiro uma suposta entrevista com o jornalista e doutor em Ciência Política Leonardo Sakamoto. Na manchete, a publicação afirma: "Cientista político diz que aposentados são 'inúteis à sociedade'" e, ao longo do texto, atribui a ele uma série de opiniões sobre o reajuste do salário mínimo. 

Crédito:Reprodução
Jornal publicou entrevista falsa do jornalista, que pretende acionar a Justiça

O jornalista, porém, não concedeu entrevista à publicação. Em sua página no Facebook, ele explicou que no dia 30 de dezembro publicou o texto "Três formas para convencer os pobres que aumentar o salário mínimo é ruim", uma crítica aos discursos contrários ao reajuste.

"Por falta de interpretação de texto (ou de amor), [o jornal] não entendeu ou quis entender e publicou a manchete abaixo. Como se as ironias — que até uma morsa com narcolepsia entenderia - fossem verdade", relatou.

Após a repercussão da falsa entrevista, o jornal apagou a matéria de sua página na internet e publicou uma nota, alegando que contatou uma assessora do jornalista, identificada como Luíza Amália, que teria intermediado o contato e respondido a redação por e-mail. 

"O Edição do Brasil analisou as respostas enviadas e o artigo em questão e acredita que houve má fé por parte da pessoa que respondeu, com provável intenção de prejudicar tanto o jornal quanto Leonardo Sakamoto", disse.

A publicação diz ainda que está tomando medidas cabíveis para identificar o responsável por tentar prejudicar a imagem do jornal e do cientista político e que entrará em contato com pessoas ligadas a ele para explicar o ocorrido.

À IMPRENSA, Sakamoto relatou que viu a publicação impressa na última terça-feira (2/2) e publicou a foto da página no Facebook para explicar que as declarações não eram suas. "A história está muito mal contada. Eu nunca diria que aposentados são inúteis. Pelo contrário. Trabalho com causas envolvendo direitos humanos", disse.  

O jornalista destacou que não tem uma assessora de imprensa. "Essa pessoa não existe. Todo mundo que me procura consegue falar diretamente comigo. E onde está a checagem? É triste ver que o jornalismo está abandonando práticas básicas", ponderou. 

Apesar da defesa de seus leitores, alguns internautas acreditaram na matéria do jornal e xingaram Sakamoto nas redes sociais. "A difamação na internet vai longe e tem consequências irremediáveis", lamentou. Ele disse que está analisando o caso para tomar medidas cabíveis.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.

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