Repórter do "CQC" diz que equipe foi agredida em Paraty (RJ); Prefeito nega

Redação Portal IMPRENSA | 18/12/2015 09:00
Atualizada às 16h53

Uma equipe do "CQC" (Band) teria sido agredida por supostos "capangas" da prefeitura de Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro (RJ), durante a gravação de uma reportagem na manhã da última quarta-feira (17/12).

Cr?dito:Divulgação
Repórter disse que prefeito não fez nada.

Segundo o site Notícias da TV, o prefeito Carlos José Gama Miranda (PT) teria assistido a cena sem fazer nada. "Nunca imaginei que pudessem tentar impedir a gente de gravar na frente de um prefeito. "Estou impressionado: Como isso pode acontecer na frente de uma autoridade pública e ela não fazer nada, não falar nada?", disse o repórter Erick Krominski.

Ele, a produtora Fernanda Rodrigues e o cinegrafista Pedro Melão foram até Paraty para produzir uma reportagem sobre as consequências de um acidente com um ônibus que deveria ser fiscalizado pela prefeitura deixou 15 mortos na estrada que liga o município à praia de Trindade.

A equipe já havia ido ao local, conversado com os parentes das vítimas e com pessoas que denunciaram o descaso na fiscalização. Em seguida, foram à prefeitura conversar com o prefeito. Os assessores disseram que ele não iria conceder entrevista. 

Krominski disse que não deixaria o local sem falar com o político. Miranda teria pedido para receber apenas uma pessoa do programa. O repórter insistiu para que o cinegrafista o acompanhasse e o prefeito cedeu.

"Comecei a entrevista e um funcionário começou a tentar desconectar a câmera. Eu perguntei quem ele era e ele falou 'foda-se'. O capanga pegou meu microfone e deu socos nele. O chefe de comunicação da prefeitura começou a desrosquear o microfone. Enquanto isso, [o cinegrafista] Melão e um segurança ficaram brigando pela câmera, cada um puxando de um lado. Na confusão, conseguiram tirar a bateria da câmera e sumiram com ela. A gente já estava sem câmera e o prefeito ficou sentado, olhando tudo, sem fazer nada", contou.

O jornalista acredita que a intenção dos assessores do prefeito "era roubar o material" que a equipe havia gravado. Eles também não teriam devolvido a bateria da câmera e a gravação apenas foi concluída do lado de fora do local, com um equipamento reserva.

A gravação deve ir ao ar na próxima segunda-feira (21/12), última edição do "CQC" ao vivo de 2015, já que no dia 28 de dezembro, exibirá uma compilação dos melhores momentos do humorístico.  

Repercussão

Em seu perfil no Twitter, Erick Krominski falou sobre a agressão. "Acabei de gravar minha última matéria para o @cqc onde o prefeito de Paraty assistiu sorrindo seus capangas agredirem nossa equipe. Medo", escreveu.


Em seguida, moradores da cidade se manifestaram sobre o caso. "Sou morador de Paraty e estou revoltado com o que aconteceu com a equipe do !", escreveu um internauta. "Todos estamos, uma vergonha!!!", respondeu outra usuária da rede social.


Outro lado


Procurada por IMPRENSA, a prefeitura de Paraty afirmou que repudia a divulgação de notícia envolvendo o prefeito, baseada somente em relato de membros da equipe do humorístico.

 

Segundo o órgão, a equipe teria tendado invadir o gabinete do prefeito sem agenda prévia e sem esclarecer a pauta. Três funcionários teriam sido agredidos por integrantes do programa e, o repórter, arrombado a porta de uma das salas anexas ao gabinete, o que fez com que a prefeitura solicitasse reforço da Guarda Municipal.


Os empregados fizeram exame de corpo de delito no Hospital Municipal e registraram ocorrência. A prefeitura também pediu à polícia que investigue os danos ao patrimônio público.


Ainda segundo a prefeitura, Miranda recebeu a reportagem e se mostrou à disposição para todos os esclarecimentos, o que pode ser comprovado por vídeo registrado e que deve ser entregue à polícia. "Apesar disso, foi alvo de agressões verbais e ameaças", destacou.


"Sempre atendi à imprensa com todo respeito. Em todas as situações, inclusive no dia do acidente ao ônibus em Trindade. Nunca me escondi atrás de seguranças ou mandei atacar a imprensa", defendeu Miranda.

 


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