Segundo painel do Fórum AIDS discute atuação das campanhas no combate ao vírus

Matheus Narcizo* | 09/11/2015 16:15


Com a missão de falar com o público mais suscetível à contaminação pelo vírus HIV, jovens de 15 a 24 anos, a revista e o Portal IMPRENSA, em parceria com a campanha #partiuteste e o UNAIDS, promovem a 3ª edição do Fórum AIDS e o Brasil. 

Crédito:Reprodução
Atila Iamarino, Pierre Freitaz e Gabriel Estrela

Transmitido ao vivo nesta segunda-feira (9/11), o evento aborda temas como os primeiros relacionamentos e sexualidade, questionamentos de como o jovem lida com a informação sobre a doença, as causas e consequências do aumento da infecção por HIV nos jovens no país. 

O segundo painel do fórum — "Como as campanhas de combate à AIDS poderiam ser mais eficientes?" — expôs a necessidade e a importância do uso das campanhas em contar como agir quando se descobre a doença. 

Participaram do debate o biólogo Atila Iamarino, autor do blog Rainha Vermelha e editor do Science Blogs Brasil, a maior rede em língua portuguesa de blogs de ciência; o ativista Pierre Freitaz, que atua na Rede Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV/AIDS como Secretário de Relações Internacionais; e Gabriel Estrela, Coordenador do Projeto Boa Sorte, que atua na divulgação de informações sobre HIV e temas transversais. 

O painel teve início com Estrela criticando o posicionamento de algumas campanhas em usar a AIDS como forma de estabelecer a compreensão do telespectador através do medo. A crítica foi prosseguida por Freitaz, que apontou a divulgação metodológica no tratamento da doença como saída eficaz para as campanhas publicitárias. 

"A juventude não sabe lidar com esse medo. Não são mais jovens da década de 80 que se protegeram através do medo e do preconceito. As campanhas hoje precisam ter um viés metodológico de proteção. Não apenas é apenas dizer 'use camisinha'. O jovem precisa dialogar com a campanha" comentou o ativista da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV/AIDS. 

Déficit de informação

Pesquisador e membro do Science Blogs Brasil, Iamarino comentou sobre uma pesquisa feita por alunos de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) que constatou, na prática, o quanto os jovens no Brasil sofrem com a falta de informação a respeito da AIDS. "O grupo ficou horrorizado porque as pessoas achavam que era preciso pagar para fazer o teste do HIV". 

Como portador do HIV, Freitaz usou sua própria experiência para explicitar o déficit na divulgação de informação sobre a AIDS aos jovens. "Descobri dos 15 para 16 anos. Fui fazer o teste através da sugestão de amigos, mas não tinha informação sobre a doença. A mídia passa de forma muito despercebida pelos jovens. É preciso adotar um modelo no qual o jovem fale diretamente com o jovem", comentou. 

O painel também foi direcionado à atuação da religião na divulgação de informação sobre a AIDS e como ela poderia representar uma barreira – causada pelo conservadorismo – neste processo. "O conservadorismo influencia dentro do Congresso nas decisões de prevenção ao HIV. Vários processos são barrados por conta de pressão religiosa dentro do Congresso", ressaltou Freitaz. 

"É muito importante falar com essa juventude [religiosa] também. Essas pessoas muitas vezes não recebem conselhos da igreja e da família, e por isso seria importante chegar até elas", comentou Estrela. 

O ideal 

E como seria a forma ideal de chegar até o jovem através das campanhas? Para Iamarino, a metodologia publicitária devia ser baseada em métodos atitudinais e que tragam informações que possam ir além do que é a AIDS, simplesmente. "Ainda falta uma campanha que fale sobre as atitudes. Como tratar? Falta algo que reforce a ideia do tratamento". 

Além da metodologia de divulgação, Estrela aponta a mudança do agente da campanha como fator fundamental de compreensão. O ideal, para ele, é que pessoas que precisam se prevenir sejam as protagonistas da propaganda. "É o ideal, porque mostra pessoas como nós praticando a prevenção", concluiu.  

O debate continua no próximo painel, a partir das 16h, com a visão de Cristine Kist (Revista Galileu), Monique Oliveira (Saúde!Brasileiros) e Fábio Mesquita (Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais). 

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Assista a íntegra do debate: