"O jornalismo tem de ser aquilo que importa para as pessoas", diz Mauri König

Redação Portal IMPRENSA | 26/08/2015 13:30
Em participação no "Pauta ZH", uma série de eventos que o Grupo RBS promove para discutir temas relacionados ao jornalismo, Mauri König, repórter investigativo e um dos mais premiados do Brasil, relembrou suas grandes reportagens, abordou momentos perigosos de sua carreira e comentou sobre a crise no mercado.

Crédito:Reprodução/Facebook
Jornalista disse que apesar da crise, impresso ainda está vivo

Segundo a Zero Hora, o evento contou com a presença de professores e alunos de universidades, jornalistas dos veículos do grupo e profissionais do mercado.

"Apesar da crise, o impresso ainda está vivo. Nunca se leu tanto jornal", declarou König. "Por mais crise que se tenha, não vejo um jornal recusando uma boa pauta". Para ele, não há sociedade sem jornalismo. "O jornalismo tem de ser aquilo que importa para as pessoas. Quero que aquilo que escrevo provoque uma mudança", explicou. 
 
O jornalista relembrou reportagens que marcaram sua carreira, como a denúncia de adolescentes para o serviço militar no Paraguai. Após a revelação disso, ele e sua família sofreram ameaças. Em outra ocasião, König foi espancado.

"Os caras [policiais] ameaçaram metralhar a minha casa", contou, emocionado, ao recordar que teve de se afastar. "É muito difícil você não poder acompanhar o crescimento de um filho. Não me arrependo do que fiz. Esses efeitos colaterais [ameaças] são difíceis, mas não sei fazer outra coisa", disse.

O repórter reiterou a importância do processo de apuração. "Prefiro ter o trabalho dobrado para checar tudo. Não faço ideia de quantas vezes leio minhas reportagens. Muitas vezes deixei de publicar para evitar erros. Prefiro ser ameaçado do que ser acionado judicialmente pelo erro", completou.

Mauri König, que trabalhou por quase 13 anos no jornal Gazeta do Povo, foi demitido junto com dez jornalistas no início deste mês. O jornal justifica as demissões em razão da crise que afeta Brasil e o mercado de comunicação. Houve readequação de operações, equipes e projetos. Há algumas semanas, a empresa havia demitido três jornalistas e fechado postos de trabalho.

Leia também