Entre quedas, brincadeiras e matérias, Márcio Canuto fala sobre os 50 anos de jornalismo

Matheus Narcizo* | 28/07/2015 14:00
Em meio a uma onda dentro do jornalismo que exige cada vez mais seriedade e estilo que siga à risca o "politicamente correto", alguns jornalistas ainda conseguem se sobressair com uma maneira diferente de encarar a profissão. 

Crédito:Divulgação
Irreverente, Márcio Canuto comemora 50 anos de jornalismo

Jornalista há mais de cinquenta anos, Márcio Canuto começou a carreira como um típico repórter: questionador e cheio de dúvidas. Em 1962, aos 16 anos, ainda no colégio, frequentava partidas dos clubes de Maceió (AL) e escrevia matérias sobre cada uma delas. Resultado: ainda adolescente, passou a ser dono de uma página inteira do jornal O Semeador, da Arquidiocese da cidade. Foi ali que, segundo ele, tudo começou. E nunca mais parou. 

Ao longo do tempo, Canuto foi se desenvolvendo em todas as áreas de jornalismo. Passou pelo impresso, onde atuou pela Gazeta de Alagoas, o Jornal de Hoje, Última Hora – edição Pernambuco – e pelo Jornal da Tarde. No rádio, atuou pela Rádio Gazeta. Na TV, foram 23 anos reportando esportes na TV Gazeta de Alagoas até a chegada ao "SPTV", da Rede Globo, em 1998, programa no qual recebeu a alcunha de "Fiscal do Povo". 

Sobre a carreira, Canuto não tem dúvida de que o esporte é o grande responsável por seu legado como jornalista. "O esporte foi a grande jogada da minha vida profissional. Um lance marcado pela paixão do contato com o povo junto com a empolgação pelo futebol. Tem coisa mais bonita e fascinante do que a vibração de uma torcida?", comenta.
 
Irreverência profissional

Aliado à essência jornalística, o trabalho de Canuto ficou – e ainda fica – marcado na memória do brasileiro pelo tom irreverente e divertido durante suas coberturas. Não à toa, alguns de seus trabalhos são lembrados até hoje. 

Uma das reportagens mais memoráveis narra a história do jogador Jacozinho, do CSA de Alagoas. Desconhecido do público, o futebolista ganhou projeção nacional a partir de Canuto, que o tornou "o queridinho do Brasil". Graças ao jornalista, o atleta, inclusive, chegou a participar de um amistoso com Zico.
 
Para ele, a irreverência é um diferencial em sua carreira. E essa lição ele trouxe de casa. "Sou de uma família de nove irmãos. Todos enormes, o menor tem 1,86 de altura, que falam alto, vibrantes e divertidos. O estilo de trabalho foi uma extensão da minha vida pessoal e que virou um diferencial no meu estilo profissional", diz.
 
O fiscal do povo

Depois de 23 anos na TV Gazeta de Alagoas, Márcio Canuto chegou à Rede Globo para atuar como repórter do recém-criado "EPTV", em 1998. No telejornal deixou de lado o esporte para ter a sua primeira experiência com jornalismo comunitário. Mas, engana-se quem acredita que o humor tenha sido deixado de lado. Ao contrário do que se imaginava, o repórter usou este elemento a seu favor. 

Na nova casa, estreou como repórter do quadro "Fiscal do Povo", que intermediava o debate e a solução de problemas entre a sociedade e os políticos. Aos poucos, sua facilidade de aproximação com o "povão" lhe rendeu a alcunha de "O Fiscal do Povo". A população, segundo Canuto, passou a vê-lo como um verdadeiro representante. 

"O estilo brincalhão deu leveza a assuntos pesados, nem sempre agradáveis. A história tinha que ser bem contada, se possível com doses de humor e irreverência. Orgulho-me muito dessa missão", ressalta o jornalista sobre o destaque do quadro. 

Momentos engraçados

Além de todo o bom humor, Márcio Canuto também deixa marcas por momentos inusitados. Alguns destes comprovam na prática que o jornalista é 100% diversão. 

De quedas em meio a multidões a entrevistas cômicas, ele acredita já ter vivido de tudo. No entanto, para o repórter, há uma situação em especial. Perguntado sobre qual "trapalhada" seria a mais marcante de sua carreira, ele ressaltou uma entrevista com o jovem Mateus, à época com 10 anos, que não compreendeu sua pergunta e jurou ser chamado de "cachorro". 

"Comigo já aconteceu, praticamente, tudo. O preferido da galera é uma entrevista numa exposição de dinossauros. Pergunto: 'você pequenininho e esse bicho tão gigante, o que achou?'. Devo ter falado rápido e ele entendeu diferente, reagindo com autoridade: 'Cachorro? Não sou cachorro, não'. O episódio ganhou o mundo. É um campeão de audiência", finaliza. 


* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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