Entidades condenam texto de Rodrigo Constantino sobre professora da PUC-RJ

Redação Portal IMPRENSA | 10/04/2015 15:30
Um texto publicado no blog de Rodrigo Constantino, na Veja, na última quarta-feira (8/4), motivou um manifesto assinado pelo Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH) e pela ONG Justiça Global. As entidades protestaram contra o post do colunista que critica uma docente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Crédito:Divulgação
Entidades criticam o colunista por não ouvir professora e outros alunos

Segundo a revista Fórum, o manifesto foi encaminhado à direção da Faculdade de Direito da universidade em apoio à professora Mariana Trotta. No texto, o colunista reproduz um e-mail que teria sido enviado por um dos alunos da docente, com o título: "Doutrinação ideológica na PUC-Rio: professora troca sala de aula por monólogo de feministas e MST".

No post, jovem de 18 anos, estudante de economia e que não revelou seu nome, diz que a professora tem substituído aulas por palestras e debates sobre minorias e movimentos sociais. "São muitas (para não dizer a maioria) as aulas que tendem ao lado negro da sociedade, o esquerdo, que nunca deu certo em local algum e infelizmente ainda é inocentemente acreditado por certos indivíduos", escreve.

O aluno protestou por conta de uma palestra que abordava "os movimentos feministas, negros, homossexuais, transexuais, entre outros do gênero", e também por uma onde o tema seria "Novo Código Florestal e a Reforma Agrária". "Nada tenho contra esses movimentos e suas causas; porém, aula é aula e palestra é palestra", acrescenta o estudante, que encaminhou também fotos dos eventos, onde é possível ver bandeiras e bonés do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST).

"É preciso dar um basta nessa situação: nossas crianças e jovens não merecem e não devem ter influências partidárias. Cada um deve ter a liberdade de ler, adquirir conhecimento e se descobrir política e ideologicamente", conclui o autor do texto. Em seguida, Constantino apoia o jovem e diz que "não há como discordar". "Os pais pagam uma grana para seus filhos aprenderem economia ou direito e eles saem da faculdade decorando slogans marxistas e sendo obrigados a ver palestras de feministas e dos invasores do MST. Isso é um acinte."

No manifesto divulgado nesta sexta (10/4), as entidades classificam o post de Constantino como um "ataque gratuito e desprezível à docente e à liberdade de cátedra". "Nenhum outro aluno foi ouvido, sequer a própria professora. Repetição de práticas como esta contribuem para explicar alguns traços autoritários da sociedade brasileira nos dias de hoje, mas não podem ser tratadas como jornalismo. Inexiste espaço nesses ambientes para o debate franco de ideias. O que impera no texto é a agressão covarde, a calúnia e a disseminação do preconceito."

O manifesto conta com a assinatura de 50 profissionais, entre professores, juristas e advogados de diferentes estados brasileiros, "em defesa da liberdade de cátedra e para congratular a professora e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro pelo acerto nas escolhas docentes e pedagógicas".

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