“Não tem como fugir do processo de humanização”, diz Valdir Cimino sobre AIDS

Gabriela Ferigato | 01/12/2014 14:15

Há mais de vinte anos contando histórias em hospitais para crianças e adolescentes, Valdir Cimino, diretor-fundador da Associação Viva e Deixe Viver, coleciona momentos que marcaram essa trajetória.

Crédito:Gabriela Ferigato
Valdir Cimino participou do painel “Mobilização da sociedade civil no combate à AIDS”
Segundo ele, a mais emblemática de todas foi a de Maria Carolina, 12 anos.  “Ela nos ajudou e deu todos os toques de como deveríamos abordar o tema e quais informações poderíamos trazer. Ela trouxe muito ensinamento de como gostaria de ser tratada dentro da saúde”.

Valdir ficou com Maria Carolina por aproximadamente 15 dias, mas surgiu um compromisso nos Estados Unidos e a avisou que ficaria duas semanas sem aparecer. Antes de ir, perguntou se ela gostaria de alguma coisa. Em um primeiro momento, Maria Carolina disse que não, mas quando Valdir estava de saída pediu uma Barbie Cinderela.

“Na janela do quarto estava toda a sua coleção. Bem, cheguei com a boneca um dia depois que ela tinha falecido. Isso foi muito significativo e é uma reflexão do que podemos prometer. Não precisamos prometer nada, mas se eu puder fazer daquele momento inesquecível para ela, vou fazer”.

Para Cimino, que participou do painel “Mobilização da sociedade civil no combate à AIDS”, durante o 2º Fórum AIDS e o Brasil, realizado na última quinta-feira (27/11), não tem como fugir do processo de humanização. “É necessário olhar o tempo todo para o outro imaginando que eu poderia estar em seu lugar”. 

 
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