“É cada vez mais difícil pautar a imprensa hoje”, diz Fabiana Leite sobre a AIDS

Gabriela Ferigato | 01/12/2014 12:15
Desde o começo da década de 1980, quando os primeiros casos de AIDS apareceram, a mídia brasileira passou a acompanhar o tema. Hoje, mais de trinta anos depois, parece que a doença vem perdendo espaço no noticiário.
Crédito:Gabriela Ferigato
Fabiana (esq) participou do painel “A mídia como plataforma de informação sobre o HIV”
Para Fabiana Leite, jornalista especializada na cobertura de saúde e produtora do programa "Bem Estar", da Rede Globo, afirma que é cada vez mais difícil pautar a imprensa hoje em relação ao tema.

“Nesse atual contexto de crise, as pessoas querem notícias boas, novidades e não querem mexer com assuntos ‘chatos’. Atualmente, tem essa coisa de querer trazer mais o entretenimento dentro do jornalismo”, diz.

Fabiana, que participou do painel “A mídia como plataforma de informação sobre o HIV”, na 2ª edição do Fórum AIDS e o Brasil, realizado por IMPRENSA na última quinta-feira (27/11), destacou que os profissionais têm medo de falar, por exemplo, que a epidemia está concentrada em homens jovens e homossexuais. 

“Há um receio em falar e parecer que quer dizer que todo homem que faz sexo com homem é promíscuo e voltar isso como se fosse o ‘câncer gay’. A mídia tem medo disso, só que não é assim. Aí os gestores têm dificuldade de explicar”, ressalta.

Outro ponto, de acordo com a jornalista, é que as divulgações são fragmentadas. Para Fabiana, se o dado é que aumentou a incidência da doença entre homossexuais esse deve ser o tom da divulgação. 

“Mas o governo se preocupa tanto que começa falando que está estabilizado. É necessário fazer campanhas segmentadas, como o Ministério tentou fazer para as mulheres profissionais do sexo. Só que aí a onda conservadora fez com que a campanha fosse calada”, lembrou.

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