“Está mais do que na hora de quebrar tabus”, diz infectologista sobre a AIDS

Gabriela Ferigato | 01/12/2014 10:15
A epidemia de ebola já deixou quase quatro mil mortos na África Ocidental, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A AIDS vitimou 1,5 milhão de pessoas em todo o planeta somente em 2013. 
Crédito:reprodução
Robério falou sobre a importância de políticas públicas e da ação médica na prevenção do HIV
Recentemente, o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Thomas Frieden, afirmou que o vírus pode se tornar a próxima AIDS. Para o Dr. Robério Alves Carneiro Jr, médico infectologista do Hospital Emílio Ribas (SP), há um cuidado com tudo que é desconhecido. 

“Os especialistas foram cuidadosos, porque é uma epidemia que começou a se espalhar muito rapidamente e devido à diferença de contágio, muito mais fácil no ebola, o risco era maior e mais eminente. As comparações e paralelismos existem em tudo que é lugar. Na saúde não é diferente”, afirma Carneiro que participou do 2º Fórum AIDS e o Brasil, organizado por IMPRENSA na última quinta-feira (27/11).

Em outubro, o fotojornalista Michel du Cille, do Washington Post, iria participar de um workshop na Universidade de Syracuse (Estados Unidos), porém o convite foi desfeito devido a preocupações sobre seu possível contato com o vírus ebola. Cille cobriu o surto na Libéria para o veículo e não mostrava sintomas.

“Nesse caso é mais preconceito. É necessário conhecer o que a pessoa tem, se apresenta os sintomas”, diz. De acordo com ele, preconceito é algo que se vê toda semana quando o assunto é AIDS.  

De acordo com ele, educação e saúde são duas esferas que deveriam caminhar juntas por um mesmo objetivo, mas é um casamento que nunca aconteceu. “A sociedade é muito paternalista. Sentimos falta da educação enquanto parceira. Está mais do que na hora de quebrar tabus. Se a doença está surgindo na genitália, por que não vou falar disso? Por que esconder a informação? Aí surgem os mitos”, conclui.

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