“A mídia ainda é conservadora sobre a pauta Aids”, diz jornalista especializada em saúde

Danubia Paraizo | 27/11/2014 17:45
Durante o painel “A mídia como plataforma de informação sobre o HIV”, na 2ª edição do Fórum AIDS e o Brasil, a terapeuta sexual e educadora Ana Canosa e a jornalista especializada na cobertura de saúde Fabiana Leite, falaram sobre a responsabilidade dos meios de comunicação de contribuírem para o debate sobre a pauta Aids no País.

Promovido por IMPRENSA, o evento aconteceu nesta quinta-feira (27/11), direto dos estúdios da faculdade de jornalismo da ESPM, em São Paulo, e foi transmitido ao vivo. Para Ana, que coordena um curso de pós-graduação voltado para a educação sexual no Centro Universitário Salesiano (UNISAL), a sociedade de forma geral ainda tem dificuldades em falar sobre sexo e a mídia acaba repetindo o problema.

Crédito:Reprodução
A jornalista Fabiana Leite, a terapeuta sexual Ana Canosa e Thaís Naldoni, gerente de conteúdo de IMPRENSA, durante o Fórum Aids e o Brasil
Fabiana aproveitou para lembrar casos em que a intervenção de grupos conservadores levou o debate ao retrocesso. A campanha do Ministério da Saúde voltada para os profissionais do sexo, por exemplo, foi vetada por pressões. Para a jornalista, situações como esta deixam a imprensa temerária e resistente.

Outro grande problema dos veículos é a restrição da cobertura a datas específicas, como o próximo dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, se esquecendo de pulverizar as pautas ao longo de todo o ano.  “Como vivem as pessoas com HIV? As mulheres na terceira idade infectadas, por exemplo? Tem aumentado os casos de infecção por causa de seus maridos supostamente monogâmicos e nada é discutido na imprensa”, lembrou Ana.

Alguns outros tabus que passam longe do espaço na imprensa são as relações homoafetivas, o trabalho de profissionais do sexo e até mesmo como fica o planejamento familiar quando um dos parceiros tem HIV. Para Fabiana, é preciso haver uma verdadeira humanização nas abordagens, baseando as reportagens em histórias e não apenas em números. Desta forma, informações importantes vão chegar aos grupos de mais vulnerabilidade.

Para as convidadas, uma barreira importante já foi superada, uma vez que as pessoas não têm dúvidas básicas quanto ao vírus HIV ou como ele é transmitido, mas por outro lado, elas ainda não compreendem seu grau de vulnerabilidade. “Muitos jovens não se veem na condição de serem contaminados. O mesmo para outros grupos. Pessoas que tiveram sua sexualidade reprimida, como mulheres mais velhas, por exemplo, podem temer em pedir ao marido que use camisinha e acabam se expondo”, lamentou Ana.