Jornalistas lançam campanha contra decisão judicial desfavorável a fotógrafo

Redação Portal IMPRENSA | 12/09/2014 11:30
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (AFORC) lançaram a campanha "Somos Todos Piratas", contra a decisão do Tribunal de Justiça, que culpou o fotógrafo Alexandro Wagner Oliveira da Silveira por ter ficado cego de um olho ao ser atingido por uma bala de borracha, disparada por um policial militar da Tropa de Choque, quando cobria um protesto em 2000.

Crédito:Reprodução
Jornalistas usam tapa-olho em campanha a favor de fotógrafo condenado por ficar cego

Segundo o portal Terra, em protesto pela medida, os jornalistas de São Paulo podem ir um dia ao trabalho usando o tapa-olho. A data ainda será definida. As entidades visam reverter a decisão dos desembargadores Vicente de Abreu Amadei e Sérgio Godoy Rodrigues de Aguiar e do juiz Maurício Fiorito.

Alex Silveira não pôde participar da reunião, mas enviou carta aos participantes, lida por Sergio Silva, que também ficou cego de um olho durante as manifestações de junho do ano passado. "Permanecendo este parecer ridículo, todos nós estaremos em um grande perigo de uma nova ditadura, mas agora velada de interesses mesquinhos e danosos", escreveu.

O fotógrafo encerra o documento pontuando o risco que a decisão do TJ-SP traz para todos os profissionais do jornalismo. "No fim das contas entendi com tudo isso que essa decisão tem uma clara intenção de "colocarmos em nosso lugar". Acredito que essa causa é maior que todos nós. Perdemos a nossa individualidade e nos tornamos um só repórter, essa luta agora é de todos nós".

O caso

No dia 18 de maio de 2000 Alexandre Silveira acompanha uma manifestação do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apoesp), na avenida Paulista, quando a Tropa de Choque da PM usou bombas de gás e bala de borracha contra os manifestantes. O fotógrafo foi atingido por uma bala de borracha no olho esquerdo, perdendo a visão.

Na semana passada, a 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público do Tribunal de Justiça alterou sentença anterior que condenava o Estado de São Paulo a pagar indenização ao repórter fotográfico. A justiça entendeu que a culpa foi da vítima e condenou Silveira a pagar as despesas do processo e da verba honorária de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais).

"Permanecendo no local do tumulto, dele não se retirando ao tempo em que o conflito tomou proporções agressivas e de risco à integridade física, mantendo-se, então, no meio dele, nada obstante seu único escopo de reportagem fotográfica, o autor colocou-se em quadro no qual se pode afirmar ser dele a culpa exclusiva do lamentável episódio do qual foi vítima”, concluiu o relator Vicente de Abreu Amadei.

Leia também