Povos afetados por obras na Amazônia são retratados em livro da Agência Pública

Alana Rodrigues* | 18/12/2013 15:45
A Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo lançou, no ultimo sábado (14/12), o "Amazônia Pública", seu primeiro livro-reportagem, que retrata o impacto das obras e dos megainvestimentos na vida dos moradores da região da Amazônia.  A obra reúne uma série de reportagens sobre o tema, originalmente publicadas no final do ano passado, além de dois textos inéditos sobre desmatamento e sobre a área do rio Tapajós.

Crédito:Divulgação
Obra reúne reportagens sobre obras na região da Amazônia

Natalia Viana, diretora da Agência Publica, diz que o principal desafio da região é equilibrar a necessidade de preservação e a pressão pelo desenvolvimento. “Todas as reportagens da série mostram que há pouca transparência, diálogo e debate em relação a esses empreendimentos”, explica.

“Nesse sentido, Belo Monte não está sozinha: há dezenas de usinas hidrelétricas que seguem o mesmo padrão de alto impacto. Há há pouco diálogo e é um tema pouco debatido da sociedade sobre o modelo de desenvolvimento que se está buscando ali”, acrescenta. 

O projeto da série nasceu diante da necessidade de tornar os investimentos da Amazônia uma pauta pública. Natalia cita uma pesquisa realizada pela Andi, organização sobre Comunicação e Direitos, com base no estudo de 44 jornais e 4 revistas, entre 2007 e 2012, a qual aponta que de todas as notícias divulgadas sobre o desmatamento da Amazônia, apenas 14,2% são de trabalhos gerados por iniciativa da própria imprensa e somente 1% do material pode ser considerado jornalismo investigativo.

“A pesquisa reforça a urgência de produzir jornalismo independente e investigativo sobre o tema. Por isso consideramos o projeto importante, e resolvemos publicá-lo em livro”, esclarece a diretora.

O livro relata ainda histórias e questões de povos tradicionais ribeirinhos, pescadores, indígenas e lavradores em três pólos industriais: o Vale dos Carajás, no Pará, em que predomina a extração e exportação de minério de ferro; o Rio Madeira, em Rondônia, em que se localizam as hidrelétricas Santo Antônio e Jirau; e o Rio Tapajós, no oeste do Pará, em que está prevista a construção das hidrelétricas São Luiz e Jatobá.

A produção contou com o apoio da fundação internacional CLUA (Climate and Land Use Alliance) e um total de 14 jornalistas divididos em três equipes, que realizaram investigações entre julho e outubro de 2012. O trabalho rendeu à Pública o Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade na categoria Webjornalismo.

As reportagens podem ser acessadas através do site especial Amazônia Pública. O livro tem livre distribuição impressa, além  de contar com o download gratuito, também disponibilizado no site da agência