“Sonho com a notícia mais importante de minha vida: a cura da AIDS”, diz ativista

Gabriela Ferigato | 12/12/2013 15:45
Dias depois da publicação da matéria “Enfim, a cura da AIDS”, capa de agosto da revistaSuperinteressante, Nair Brito recebeu a ligação do seu filho dizendo estar muito feliz, pois um amigo contou sobre a reportagem e que, finalmente, poderia voltar a morar com ela. 
Crédito:Crédito:Agência de Notícias da AIDS
Nair Brito sonha com a cura da doença

O título da matéria gerou um intenso debate durante o “Painel I: Cobertura sobre o HIV: erros, acertos e evoluções”, do Fórum AIDS e o Brasil, que aconteceu na última quarta-feira (11/12), em São Paulo. Quando descobriu o diagnóstico positivo para o HIV, Nair foi internada diversas vezes e seu filho foi morar com o pai. “Eu vivo há muito tempo sonhando com a cura. Meu filho me pergunta se eu acredito e eu respondo que sim”.

Em 1992, Nair iniciou seu trabalho em organizações que lutavam pelo direito das mulheres. Participou dos grupos Toque de Mulher, Rede Paulista de Mulheres com o HIV, Projeto Nacional Cidadã Posithiva, ICW–Rede Internacional de Mulheres com HIV/AIDS e Movimento Latino e Caribenho de Mulheres com HIV/Aids. É ativista e fundadora do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas e do movimento da comunidade de mulheres de língua portuguesa.

“Juntamos a América Latina e África para lutar pelos direitos que são violados em relação à AIDS. A imprensa já faz parte da nossa agenda e é por meio dela que conseguimos divulgar tudo isso. Quando eu chego ao hospital e não tem o meu medicamento, a primeira coisa que faço é ameaçar ‘Vou chamar a imprensa’, e como resolve. A mídia já virou autoridade máxima”, completa.

Porém, ao mesmo tempo em que agradece o apoio da imprensa nessa luta constante, Nair ressalta que ela mobiliza aspectos afetivos, políticos e familiares, entra em suas vidas e essa forma tem que ser cuidadosa e ética. Ela lembra quando foi capa da extinta revista Manchete com a chamada “Peguei AIDS do meu marido”. “Meu ex-marido não tem HIV e isso impactou na vida profissional dele. Só quiseram usar a minha imagem. Uma vírgula, uma palavra tem um poder de destruição profundo”.

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