“Nosso papel é trazer didaticamente os temas para o leitor”, diz Débora Mismetti, da "Folha"

Gabriela Ferigato | 11/12/2013 16:25
Débora Mismetti, editora de Ciência+Saúde da Folha de S.Paulo, participou do painel "Cobertura sobre o HIV: erros, acertos e evoluções", do "Fórum AIDS e o Brasil", defende o didatismo e a cautela como pontos essenciais na cobertura sobre a doença na mídia.

Crédito:Alf Ribeiro
Jornalista diz que imprensa precisa ser didática sobre o tema AIDS

“A mídia tem um papel diferente das campanhas do governo. O nosso é trazer didaticamente os temas para o leitor, e temos que ter cautela, principalmente, diante de boas notícias que têm surgido, mas que, às vezes, se revelam como não tão boas depois". Segundo ela, o caminho da descoberta da cura é algo que gera expectativa entre as pessoas. "Um dia iremos dar a notícia que a AIDS está curada, assim como câncer. E não é assim, temos um longo caminho de idas e vindas, como qualquer descoberta de cura e tratamento de doenças. Temos que seguir todos os passos atentamente”, ressaltou.

De acordo com a jornalista, o dia mundial de combate à AIDS, instituído em primeiro de dezembro, é utilizado pelo governo como forma de divulgar seus números e novos programas e a imprensa cobre esses fatos e cai na efeméride. "Acho que isso tem suas vantagens e desvantagens, mas essas datas são importantes para concentrar campanhas. Porém, nossa cobertura vai sempre atrás de novidades, dos avanços na saúde e novos estudos”.

Débora afirma que existe uma relação diária entre pesquisadores e imprensa, mas a divulgação científica brasileira ainda deixa a desejar, em comparação à dos Estados Unidos e de países da Europa, onde as revistas especializadas têm um aparato de divulgação dos seus trabalhos. “A publicação científica das revistas brasileiras ainda se comunica pouco com a imprensa”, conclui.