Painel discute os erros e acertos da imprensa em relação à cobertura da AIDS

Gabriela Ferigato | 11/12/2013 12:20
O primeiro painel do “Fórum AIDS e o Brasil”, iniciativa de IMPRENSA, promovido nesta quarta-feira (11/12), discutiu erros, acertos e evoluções do tema na mídia. Moderado por Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual DST/AIDS-SPP, o painel contou com participação de Bruno Garattoni, editor de ciência e tecnologia da revista Superinteressante, e Débora Mismetti, editora de Ciência+Saúde da Folha de S.Paulo.

Crédito:Alf Ribeiro
Palestrantes debateram papel da mídia na prevenção da AIDS

De acordo com Garattoni, a cobertura da imprensa sobre AIDS pode ser dividida em três períodos. O primeiro aconteceu nos anos 80 e foi marcado pelo medo. “A imagem que surgiu naquela época era de uma doença fatal, sem cura e sem tratamento. Depois descobrem que mata de forma cruel, pois acontece indiretamente. Essa cobertura foi dominada pelo medo e pânico”, afirmou. O jornalista lembra a capa da revista Veja com Cazuza, que, segundo ele, simbolizou a primeira fase dessa cobertura.

O segundo período, nos anos 90, foi marcado pela conscientização e educação. “A imprensa percebeu que, melhor que abordar o medo, seria educar as pessoas como se prevenir. Nessa época, a revista Capricho, em sua capa, admitiu, de forma bastante corajosa, que as meninas adolescentes tinham vida sexual. A MTV também teve um papel incrível na conscientização e foi uma das vozes mais importantes dessa década”, afirmou.

Por fim, a terceira fase, nos anos 2000, foi exatamente a escassez do debate. Para o editor da Superinteressante, como a imprensa parou de falar sobre o assunto, as pessoas deixaram de dar a devida importância. “Hoje o tema voltou, mas com um tom diferente de esperança, porém não com euforia. Essa esperança se deve aos resultados de alguns estudos que mostram dados sobre a cura funcional. Nós temos sido muito cuidadosos ao enfatizar que a prevenção e o sexo seguro continuam sendo essenciais”, destacou.

De acordo com Débora, é importante ter muita cautela na cobertura do tema. Como exemplo, ela ressalta o título de uma reportagem que dizia que dois pacientes em Boston (EUA) haviam se livrado do vírus e, mais tarde, a notícia foi negada. “Precisamos fazer esse exame de consciência se realmente estamos esclarecendo as coisas para as pessoas. Porque notícias como essa geram muita euforia na sociedade”, afirmou. Para a jornalista, também é importante falar dos diversos nichos, porque apesar do vírus estar concentrado entre os jovens gays e profissionais do sexo, é fundamental dirigir a atenção a todos os públicos, como, por exemplo, na terceira idade.

Segundo ela, a mídia tem acertado ao acompanhar as novidades e novas iniciativas, sempre apelando para o didatismo. “Se as pessoas não entenderem o que falamos, não adianta colocar isso mais vezes na mídia. Por isso, é muito importante ser didático”, finalizou.