Com o mercado em constante mudança, cursos de MBA e pós-graduação são diferenciais

Kátia Zanvettor | 15/07/2012 14:31
Em junho de 2009, há pouco mais de três anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubava a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, comparando o ofício com profissões como cozinheiro e corte e costura, que demandam pouca especialização. Uma das argumentações apresentadas na época era baseada na ideia de que a profissão não representaria “risco” à coletividade e, portanto, não precisaria ser submetida à obrigatoriedade do diploma universitário.

Polêmicas à parte, que ainda imperam nos fóruns profissionais, a tendência do mercado e entre os profissionais mostra que a decisão do STF não mudou uma característica importante do jornalista: a busca constante por conhecimento. Se analisado o cenário movimentado da pós-graduação no país e no exterior, que a cada dia amplia o número de vagas e as opções de especialização, é possível concluir que jornalistas e comunicadores não só continuam procurando a graduação em comunicação como investem cada vez mais na especialização na área.

Para Carlos Moreira, coordenador geral do Instituto de Gestão em Comunicação das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), do Rio de Janeiro (RJ), a graduação é o básico para um profissional, mas o diferencial será dado pelos cursos de pós. “Para que você consiga se diferenciar no mercado, você tem que trabalhar alguns conteúdos mais específicos, como esporte, economia. São conhecimentos que você não adquire fazendo só a graduação”, avaliou.

O coordenador geral dos Programas Certificates do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Guy Cliquet do Amaral Filho, confirma essa tendência de o mercado procurar profissionais especializados e preocupados com a atualização constante. Para ele, quem busca especialização já se destaca por demonstrar que compreende a importância da atualização. “As especializações são direcionadas para os profissionais mais jovens, que tenham entre quatro e dez anos de mercado. Já os MBAs são indicados para os profissionais seniores que já possuem uma trajetória maior”, afirmou.

A escolha da pós-graduação, de alguma forma, parece ser o calcanhar de Aquiles da busca do candidato, já que os cursos de especialização Lato Sensu independem de autorização do Ministério da Educação (MEC) para funcionar. Segundo a assessoria de comunicação do ministério, as instituições são autônomas para criar cursos de especialização, e o que há é uma normatização do Conselho Nacional de Educação que prevê que esses cursos devem estar ligados a uma instituição de educação superior devidamente credenciada.

Ainda que a falta de regulamentação possa deixar o candidato sem referência na hora da escolha, há alguns indícios que são importantes para decidir pelo curso. Segundo o professor Ronaldo Entler, coordenador de pós-graduação da Faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP, a escolha de um candidato pelo curso de pós está muito associada à história da instituição, a sua atuação qualificada na graduação e à posição dos docentes. Segundo ele, a “farra” de se abrir cursos sem muito critério felizmente está acabando. “Há uma exigência pela qualificação dos professores, aliando formação acadêmica com atuação no mercado. É muito bom que seja assim, já que o termômetro mais importante da qualidade de um curso é a qualidade do seu corpo docente”, explicou.

De olho nessa dificuldade, o portal Educaedu, presente em vinte países, criou um sistema de busca de cursos de pós-graduação em distintas áreas. Pelo buscador, o usuário tem a possibilidade de encontrar um curso de acordo com suas expectativas, além de comparar cursos semelhantes. Segundo Keli Campos, gerente de conteúdo do Educaedu, em jornalismo a tendência crescente é a procura por cursos no campo de jornalismo digital e redes sociais, segmentos com forte crescimento no mercado. Outro aspecto importante é o aumento de ofertas de cursos em instituições internacionais que conquistam os candidatos pela oportunidade de uma experiência no exterior.

NOVOS CENÁRIOS, MAIS ESTUDO

Alguns especialistas relacionam a mudança da regulamentação do diploma em jornalismo com o impulso do mercado de cursos de pós-graduação na área. Segundo o coordenador do curso de pós-graduação em comunicação da Faculdade Cásper Líbero, Dimas Kunsch, o próprio curso de especialização em jornalismo foi reformatado para atender a uma nova demanda de profissionais sem formação inicial em jornalismo.

A Facha também percebeu essa tendência, especialmente no curso de jornalismo esportivo,em que atletas procuram a formação para abrir uma nova frente de atuação. Outros professores relativizam essa associação do aumento da procura com a queda do diploma e preferem atribuir o crescimento das pós a fatores do mercado de comunicação, como o crescimento de novas áreas e novas exigências do perfil profissional.

Esse é o caso, por exemplo, do curso de produção executiva e gestão de televisão da FAAP, coordenado pelo professor Vagner Anselmo Matrone. Para ele, ainda que o curso tenha como foco o profissional de rádio e TV, a procura de jornalistas diplomados tem crescido, já que o curso oferece ao profissional a habilidade em gestão, que é algo importante para quem planeja assumir cargos gerenciais.

Nessa seara, a Escola Paulista de Propaganda e Marketing (ESPM) também passou a disponibilizar um curso, especializado em preparar jornalistas já experientes para exercer cargos de direção editorial. Segundo o professor Eugênio Bucci, coordenador do curso de jornalismo com ênfase em direção editorial, independentemente das mudanças do mercado, o jornalista sempre deve pensar em atualização. “O ideal é que o jornalista esteja em permanente desenvolvimento. O bom é não parar de estudar nunca. De tempos em tempos, a cada quatro, cinco anos, é bom um retiro para um curso mais profundo, de cerca de um mês, seja no Brasil, seja fora dele”, orienta.

As mudanças e o impacto das novas tecnologias também são elementos importantes para colocar a especialização como uma escolha entre os profissionais de comunicação. Segundo o professor Diego Luz, coordenador da pós-graduação na Faculdade da Cidade do Salvador, o curso que tem uma procura significativa é a pós-Graduação em comunicação e marketing em redes sociais que, segundo ele, agrega conhecimentos que facilitam na gestão das distintas mídias sociais. “Nesse quesito, garante ao pós-graduando total domínio para assumir o setor digital ou até mesmo prestar consultoria para organizações de qualquer ramo empresarial. Tendo o conhecimento teórico e prático de funções da comunicação e do marketing, facilmente esse profissional se torna diferenciado para prestar serviços com as ferramentas das mídias sociais”, avaliou.

*Com Denise Bonfim.