Novo programa da TV Cultura dá voz a correspondentes estrangeiros sediados em SP

Luiz Gustavo Pacete | 12/03/2012 16:50
Na tarde da última sexta-feira (9/3), no estúdio dos programas semanais da TV Cultura, aconteceu a gravação de um novo programa. A estreia da nova atração ocorreu na semana em que a Fundação Padre Anchieta comunicou a demissão de mais de 50 funcionários e a extinção de vários programas, tornando notório o clima de expectativa sobre a novidade.

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Entre diretores, produtores e a apresentadora Mônica Teixeira, responsáveis pelo programa “Legião Estrangeira”, estava a expectativa da estreia que aconteceu no último domingo (11/3), às 20h30. A ideia surgiu de um projeto de Mônica apresentado à direção da emissora. Ela conta que após observar formatos com a participação de correspondentes em canais europeus, percebeu que era possível fazer algo parecido no Brasil. 

O nome “Legião Estrangeira” ficou por conta do VP de conteúdo da Fundação Padre Anchieta, Fernando Vieira de Mello. A jornalista ressalta que o programa tem o objetivo de levar ao telespectador a visão dos correspondentes estrangeiros sediados em São Paulo. “Achei ótimo o primeiro programa com dois assuntos quentes – copa do mundo e economia – e comentários que talvez jornalistas brasileiros não fizessem na televisão”, diz Mônica na reunião feita assim que terminou a gravação. 

Entre os convidados da primeira edição estavam os correspondentes Todd Benson, diretor de redação da Agência Reuters no Brasil, Andrew Downie, da revista Time, Eleonora Gosman, correspondente do Clarín no país e Chantal Rayes, do jornal francês Libération. O grupo de correspondentes que participará do programa é formado por 12 profissionais e pode variar conforme a semana. 

Mônica destaca que a iniciativa dá voz aos profissionais que muitas vezes não são reconhecidos no Brasil. Todd confirma a importância do programa também para a imagem da agência de notícias. “Achei bem interessante o formato. Foi importante discutirmos de economia e também os temas relacionados à Copa. Acredito que é uma grande oportunidade de visibilidade também para a Reuters”, destaca o correspondente americano. 
 
O programa é dirigido por Helio Goldsztejn e Nelson Ribeiro Perez que consideram que a atração vai ocupar uma faixa que prima pela antecipação das notícias ao telespectador. “É a oportunidade que a emissora dá de poder discutir a semana através de vários programas. O próprio “TV Folha” que antecede o “Legião Estrangeira” vai fazer um apanhado da semana”, diz Hélio. Ele também destaca que o cenário acompanha a diversidade de idiomas e promete alternar a cada semana os artigos dos correspondentes presentes. 

Mônica Teixeira, apresentadora do "Legião Estrangeira"
Mônica Teixeira possui um histórico de participações e sugestões de novos projetos em sua carreira.


A jornalista falou à IMPRENSA sobre os principais pontos do “Legião Estrangeira”. 


IMPRENSA – Como surgiu o projeto?
Mônica Teixeira – O programa é a aplicação de uma ideia já posta em prática por televisões que dão ênfase ao jornalismo. Esse programa existe em francês, inglês e italiano. O que tem de particular é que esses formatos não discutem a França ou a Inglaterra. Eles discutem a política internacional. A ideia surgiu quando eu observava essas iniciativas na televisão internacional. 

A mudança de posição do Brasil no cenário mundial faz o programa ainda mais oportuno? 
Existe a mudança no olhar do mundo sobre o Brasil. Em um dos pilotos que fizemos falávamos sobre o aumento no contingente de agências e órgãos de imprensa no país. Para você ter ideia, o Clarín faz uma página por dia sobre o Brasil. A agência EFE tem uma aba chamada Neymar. Isso mostra o quanto o Brasil está no centro das atenções e aproveitando este contexto, o objetivo é tentar captar um olhar sobre o Brasil que estranhe as coisas brasileiras. 

Os correspondentes serão pautados?
Eles vão falar sobre aquilo que escreveram em seus veículos durante a semana. O meu desafio é não ficar dando opinião. Minha função é me colocar na função do telespectador, por isso que não tenho que me meter tanto. Ou em algumas vezes quando eu não entendo e suponho que ninguém tenha entendido, vou fazer minha intervenção. 

De que maneira funciona a escala desses correspondentes?
É um grupo que vai se alternando de acordo com a semana. Até podemos chamar correspondentes do Rio eventualmente, mas nosso foco são os correspondentes em São Paulo, para eles é mais fácil participar de um programa semanal. 

Que tipo de retorno a produção sentiu quando contatou os jornalistas?
Eles sentem um pouco de falta de reconhecimento porque escrevem sobre o país e ninguém sabe quem são eles. Por isso, abraçaram a ideia, que dá a eles uma oportunidade e falar.