Locutor da CBN conta como dirigiu "por acidente" o radialista Hélio Ribeiro

Luiz Gustavo Pacete | 09/03/2012 12:00
Em início de carreira, como locutor profissional na Líder FM, o jornalista Laerte Vieira, atual voz padrão da CBN e apresentador do programa “Aconteceu”, na RedeTV!, deparou-se com um episódio inusitado. Em 1996, o radialista Hélio Ribeiro gravava para o anúncio de uma faculdade e assim que avistou Vieira, o chamou e indagou “ei, locutorzinho, o que você está achando?”. Sem saber quem o interpelava, Vieira orientou Ribeiro a mudar o tom de voz, já que o anúncio era destinado a um público jovem. Incisivo, Ribeiro retrucou “então agora você vai me dirigir”. “Somente depois fui me dar conta de quem era Hélio Ribeiro, aquele radialista que eu ouvia e admirava 10 anos antes, em 1986. Ele inclusive influenciou, anos depois, minha decisão de trabalhar no rádio”, conta Vieira. 

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Divulgação/RedeTV!
Laerte Vieira
A relação de Vieira com profissionais mais experientes não parou por aí. Como apresentador da TV Gazeta, ele lembra que teve oportunidade de trabalhar com grandes nomes do jornalismo, inclusive dividindo bancada com a jornalista Maria Lydia. Ele está na CBN desde 1995. Desde 2003 é o locutor padrão da rádio, voz que dá identidade aos programas da emissora. Trocou a TV Gazeta pela RedeTV! em 2010 para assumir o programa “Aconteceu”, que se propõe a relembrar casos que fizeram história e, por algum motivo, caíram no esquecimento.
 
Vieira também passou pela Líder FM, TV Metropolitana de Guarulhos e pelo canal NGT. “A TV era um sonho, sempre tive vontade de fazer jornalismo de bancada e além de apresentar também tive experiência de editar o jornal”. Em conversa com IMPRENSA, Vieira fala sobre seu trabalho como voz padrão e entre outras coisas sobre o rádio. Ele também comenta sua atuação no programa “Aconteceu”, exibido semanalmente na RedeTV!.
 
Voz Padrão
A voz padrão precisa ser neutra. Ela não pode ter muita cor. Não pode puxar demais para o grave. Nem muito séria e nem muito descolada. Se é muito grave, só vai vender produto jornalístico que requer credibilidade. Porém, será incompatível com um programa de entretenimento. Logo, o desafio é passear nessa faixa neutra. Quando eu digo “Jornal da CBN” é um tom, quando falo “CBN Mix Brasil” é outro. O ouvinte não precisa esperar para escutar o nome da rádio, pela voz ele deve identificar onde está sintonizado. Estou como voz padrão da CBN desde 2003, quando o Celso Freitas deixou essa função e foi para a Record.  

Jornalismo e publicidade
A voz padrão é algo distinto da publicidade. Sou jornalista. De acordo com minha ética não misturo comercial com notícia e por estar em uma emissora jornalística eles também entendem dessa forma. Sempre que há o oferecimento de um anúncio do programa ele vem separado para que minha voz não seja vinculada a um produto. O produto que eu represento é a CBN. 

Televisão
A TV Gazeta foi uma grande escola de televisão para mim. Principalmente pelas referências que tive como Maria Lydia Flandoli, Mauro Chaves e José Paulo Kupfer. Eu trabalhei lá dos 33 aos 39 anos e tenho muito respeito por essas pessoas. Quando eu apresentava o “Jornal da Gazeta”, a proposta sempre foi a de oferecer um jornal reflexivo, já que tínhamos poucas equipes de reportagem, daí a necessidade da discussão dos fatos.
 
“Aconteceu”
Mudei em 2010 para a RedeTV! para apresentar o “Aconteceu!”. A proposta de um programa nos moldes do “Globo Repórter” era um sonho antigo do Amilcare Dallevo, presidente da emissora. A ideia é resgatar casos esquecidos pela mídia que já tiveram grande repercussão. Resgatar esses casos e tentar promover a justiça social. A gente se programa para tentar dosar factual com referência histórica. Mas geralmente o factual acaba sobrepondo.
 
Rádio e internet
Hoje não tem como ignorar a internet. É uma ferramenta importante e aliada da TV e do rádio. Eu acho que é um caminho natural, já que todas as mídias estão convergindo para a internet. Você não tem mais tempo. Vivemos a época do imediatismo e da informação rápida. O que tem de positivo em toda essa velocidade é que eu acho que o rádio, a TV, o impresso, nunca vão morrer. O rádio passou a ser “ultraimediatista”. Já era imediatista e com o advento da internet você já escreve menos no rádio. Algumas vezes você está no ar e acaba dando algo que já saiu em um portal de forma instantânea.  

Assista o vídeo com Laerte Vieira: