“Pedir desculpas por piada vai contra minha formação humorística”, diz Rafinha Bastos

Luiz Gustavo Pacete | 02/03/2012 11:40
Contido, mas sem perder a piada, Rafinha Bastos anunciou, na última quinta-feira (1/3), seu retorno à TV aberta. Apesar da relutância em voltar a trabalhar em canais abertos, o humorista admitiu que só topou o convite da RedeTV! por se tratar de um projeto admirado pelos principais humoristas contemporâneos, a versão brasileira do programa “Saturday Night Live”.

A atração é exibida desde 1975 nos Estados Unidos e produz humor, entrevista e música. No novo projeto, além de protagonista, Rafinha será produtor executivo. O que segundo ele, lhe dará mais liberdade nas piadas. “O que eu espero, e já tenho percebido isso na emissora, é que eu tenha total liberdade, não consigo imaginar meu trabalho de humorista limitado pelo que deve e não deve ser dito”, disse Rafinha.
 
Ainda sem data de estreia prevista, o programa será exibido aos domingos. Perguntando na coletiva se ele não se preocupava em ter seus salários atrasados na emissora, Rafinha ironizou. "Recebi meses e meses de salário adiantado", disse. O comediante já protagonizou conflitos, inclusive com o presidente da própria RedeTV!, Amilcare Dallevo, quando chamou sua esposa, Daniela Albuquerque, de cadela. O humorista admitiu que errou e por isso pediu desculpas.
 
Na próxima semana o humorista viaja até Nova York com representantes da Endemol, empresa que licenciará o programa no Brasil, para ter uma imersão no formato. Acompanhe os principais trechos da entrevista de Rafinha na sede da RedeTV!, em Osasco:
 
TV aberta
 
Estou feliz de ter essa oportunidade única na RedeTV!. Mas eu não queria fazer nada em TV aberta. Entretanto, com esse projeto eu terei a oportunidade de formar um movimento novo. Um formato, que apesar de ser muito antigo é adorado por todos os comediantes. Quantas vezes nós já não ouvimos dizer que surgiria um programa parecido com o “Saturday Night Live”. Agora será o próprio. Vai ter muito do formato de fora, mas também muito de nossa cara brasileira. 
 
Pedidos de desculpas
O que causou minha saída da Band não foi uma piada, mas sim o meu pedido para sair. Eu só vou pedir desculpas na minha vida quando eu achar que estou errado. Quando eu chamei a Daniela Albuquerque de cadela, a Band me chamou e disse que ela não tinha gostado. Eu aceitei pedir desculpas, porque vi que estava errado. Quando eu falei dela não foi em uma piada, não tinha um contexto e realmente foi uma infelicidade. Naquele momento não soou como piada e eu aceitei pedir desculpas. Mas quando eu faço uma piada nunca vou pedir desculpas. Isso atenta contra o meu trabalho e contra minha geração de humoristas. Quem não entende isso que resolva judicialmente. Eu pago todo meu dinheiro e volto à estaca zero para não pedir desculpas por uma piada.
 
Crédito:Luiz Gustavo PAcete
Humorista fala sobre novo projeto na Rede TV! durante coletiva.
Projetos paralelos
 
Se não fosse essa proposta da RedeTV!, eu não teria aceitado outra coisa. Talvez eu fizesse algo ligado com UFC, mas acabou indo para a Rede Globo e não deu certo. Mas seria uma coisa legal que mostraria outro lado meu. Mas comédia eu não tinha vontade de fazer em TV aberta. Em relação a projetos internacionais, eu tenho muita coisa que foi plantada e conversada, mas que ainda precisam amadurecer. E vou conciliar o programa com o projeto que vou tocar no canal FX.
 
CQC e Pânico
 
Não me interessa saber se agora o “Pânico” vai concorrer com o “CQC”, mas sinceramente eu acho que não, competição para mim é no mesmo horário. Fora disso não existe. São programas diferentes. É engraçado que sempre o pessoal levanta essa questão de competir um com outro. 
 
Saturday Night Live
 
Nós não temos tanta pretensão quanto ao formato na versão brasileira. É um formato muito simples que é baseado em “stand up comedy”. Nossa intenção não é fazer um programa que vá revolucionar e sim faça comédia e seja engraçado. Eu faço questão que tenha um elenco de gente talentosa para fazer um excelente programa de televisão. Não quero carregar esse peso de ser um programa maravilhoso.
 
Questões de contrato
 
Estou com meses e meses de salário adiantado. Agora eu acho o seguinte tem toda uma questão de investimento e que não tem a pretensão de ocupar o espaço deixado pelo “Pânico”. Além disso, eu ainda tento convencer a emissora para que o programa seja de sábado e seja reprisado no domingo. Eu gostaria que fosse no sábado porque o nome já diz. Mas aproveito para tirar sarro de um programa que leva Saturday no nome e será exibido aos domingos. Sobre o elenco não tem nada fechado, eu conversei com algumas pessoas, mas realmente não tem nada fechado, é algo muito recente.
 
Convidados do programa
 
Entendo a dificuldade de se trazer entrevistados na TV brasileira. Mas como é um formato muito consagrado eu espero que os artistas entendam e aceitem os convites. Mas tem um problema, a TV Globo contrata 95% das pessoas do mundo. Ela faz isso para as pessoas não darem entrevistas. Mas espero que consigamos bons entrevistados. Em relação à minha fama de mau, não acho que isso deva afastar os convidados, não afastou nem as emissoras. Também não quero que seja o programa do Rafinha. Eu não vou ser apresentador, não vou entrevistar ninguém.