"Repórter de Chico Xavier", Saulo Gomes prepara novo livro com revelações inéditas

Guilherme Sardas | 19/08/2011 16:01

Divulgação/InterVidas
O repórter Saulo Gomes (à dir.), com o ator Nelson Xavier, intérprete de Chico no cinema


Com 83 anos de idade e 55 de jornalismo, Saulo Gomes está no panteão dos repórteres mais experientes do país. Poucos vivenciaram tantos momentos históricos, principalmente no chamado jornalismo de campo ou investigativo.

Assim como cobriu a Câmara Federal, em 1956, na capital do país, Rio de Janeiro - isso mesmo, Brasília nem sequer existia -, podia ser visto na TV até meados de 2000, como repórter especial da Record. Aliás, uma reportagem especial sua, sobre o "Maníaco do Parque", marcou a história da emissora. "Pode botar aí, até esse momento, é a maior audiência da programação da TV Record em qualquer época: deu 38 pontos, contra 16 da novela das oito", comenta Saulo.


Hoje, o repórter está inteiramente voltado para o mercado editorial, sem perder o tino de contador de grandes histórias, nem a capacidade de se comunicar com as massas. E sua trajetória como escritor tem se escorado, em grande parte, nos mais de 30 anos de convívio com o maior médium brasileiro, Chico Xavier.


Em 2009, lançou o livro "Pinga-Fogo com Chico Xavier". Já são mais de 80 mil exemplares vendidos. É o relato escrito das duas edições históricas do programa da TV Tupi - uma espécie de "Roda Viva" com plateia da época -, em que Chico fora sabatinado por mais de 7 horas, somando suas duas participações em 1971. Aliás, as imagens memoráveis descritas na obra, talvez, se perderiam no tempo, se não fosse a persistência de Saulo...


Muitos anos depois, procurando reunir seus trabalhos na TV em um DVD, o repórter foi informado pela TV Tupi que todo o material da emissora - fechada em 1980 - jazia em um galpão na Rodovia Anhanguera, próximo a São Paulo. "Fiquei muito desolado ao encontrar todo aquele material abandonado, sem os devidos cuidados. Guardei a fita recolhida com muito carinho. Um dia, fui procurado por um profissional do vídeo - alguns dizem que foi Chico que o encaminhou até mim - propondo a recuperação e a divulgação daquela obra prima", explica o repórter.


No ano passado, lançou "As Mães de Chico Xavier" - com significativa tiragem inicial de 50 mil -, livro que narra os bastidores do filme de mesmo nome, além de trazer relatos de histórias reais associadas aos poderes de Chico e textos de espíritas renomados sobre temas delicados como morte, drogas, aborto e suicídio, analisados à luz do espiritismo.


Hoje, Saulo prepara um terceiro livro sobre o médium, de nome "Nosso Chico", com previsão de lançamento para início de 2012 - e que promete ser o mais pessoal deles. "O livro reúne fatos que aconteciam entre dois amigos: o repórter e o espírita. Fui guardando muita coisa, bilhetinhos de Chico, psicografias nunca mostradas, depoimentos, fotos", resume.


O escritor promete ainda trazer novas informações sobre a infância e adolescência do médium. "Muita gente não sabe como Chico era quando moço, ele tinha os segredinhos dele, e o livro traz relatos de gente que conviveu com ele na mocidade e na adolescência", diz.


A amizade da dupla começou em 1968. Aos 40 anos, Saulo, então repórter da TV Tupi, conseguiu convencer o médium, então com 58 anos, a romper longo período de silêncio com a imprensa brasileira, ressabiado com a parte dela que o tratava como uma fraude. A partir daí, Saulo teria acesso privilegiado a Chico, além da convivência como amigos até a morte do espírita, em 2002.


Com o novo livro em estágio avançado, Saulo antecipa que seus trabalhos sobre o médium não param por aí. "Ainda resta muita coisa, sobrou material do Pinga-Fogo, da primeira entrevista, e vai sobrar muita coisa interessante do "Nosso Chico" para gente mais adiante produzir mais um trabalho", conclui o incansável "repórter de Chico".


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