Jornalistas de “alma feminina” escrevem para mulheres sob ponto de vista masculino

Danúbia Paraizo e Matheus Narcizo

 
As quartas-feiras costumam ser sagradas para um certo grupo de leitoras há pelo menos seis anos, quando o jornalista Ivan Martins começou a publicar suas crônicas sobre “coisas do coração” no site da revista Época. Pela capacidade de compreender o universo feminino, já virou parte da rotina das mulheres acompanhar suas reflexões sobre amor, paixão, angústias e demais inquietações que regem os relacionamentos.

Mas o autor dos livros “Alguém especial” (Benvirá) e “Um amor depois do outro” (Nova Fronteira), que chega às livrarias no próximo dia 11 de março, não está sozinho nesse seleto time de colunistas de “alma feminina”. Os jornalistas Xico Sá, Fabrício Carpinejar, Gregório Duvivier e Antonio Prata são apenas alguns integrantes com essa habilidade de falar às mulheres, mesmo que nem sempre isso seja de caso pensado.

“Não sei se penso em ‘atingir’ as mulheres, mas escrevo muito consciente de que elas lerão a coluna. (...) Às vezes eu acho que eu consigo escrever a partir da ótica delas. Outras vezes, percebo que não consegui sair do meu olhar masculino”, defende Martins. 


Crédito:Reprodução/ Facebook
Ivan Martins


Esta também é a impressão de Carpinejar, colunista do jornal Zero Hora e da rádio Gaúcha. O escritor diz que não dialoga necessariamente com mulheres, mas seu público acaba sendo feminino pela sua sinceridade e coragem de se expor. “A mulher quer confidência, não quer um julgamento. Ela quer alguém capaz de falar sobre o que ela está vivendo. Acabo criando uma cumplicidade. Não existe certo ou errado. A emoção não tem júri, tem colo”, destaca.

Rixa velada
Considerados os “queridinhos” de muitas leitoras, os jornalistas explicam que o segredo para a popularidade não está escondido a sete chaves. Basta conviver com elas, ouvi-las e se colocar em seu lugar. “Gosto das mulheres, num sentido que vai além do sexual e do afetivo. Tenho prazer em ouvir e falar na presença delas. O convívio com as mulheres me estimula. Talvez daí venha alguma facilidade em expressar algumas das suas questões e dos seus sentimentos. Quem ouve com atenção sempre se coloca na posição do outro, né?”, diz Martins.

Outra questão que ajuda muito é a admiração incondicional por elas. Carpinejar, por exemplo, explica que foi criado pela mãe e teve na figura da irmã uma influência muito forte. Tudo isso contribuiu para sua formação emocional. Não à toa, a cumplicidade com as mulheres ajudou a transformá-los ao longo dos anos em verdadeiros gurus sentimentais, papel nem sempre fácil. Não é raro, inclusive, certa ciumeira entre os homens. 
Crédito:Mauricio Capellar
Fabrício Carpinejar


“O efeito colateral de ser visto como confidente é o homem delas me odiar. Eu acabo servindo de exemplo a contragosto para os homens. E eles tentam me desqualificar. Dizer que sou feio, um monstro. Insinuam sobre a minha opção sexual. Alguns me veem como se eu fosse um rival secreto”, conta.

Como forma de evitar esse tipo de desentendimento, Martins prefere não alimentar o perfil de confidente. “Muitas comentam e interagem, sobretudo pelo Facebook e Twitter. Na medida do possível eu tento dar respostas a todas elas. Mas sou jornalista, não psicólogo. (...) Escrever crônicas é o máximo de charlatanismo a que eu me permito”.

Como forma de manter a paz com a turma do Bolinha, ele também procura desmistificar alguns preconceitos, como o de que todo homem é canalha e que não há romantismo neles. “Os homens são românticos também, desesperadamente. Mas a cultura feminina tem mais espaço para expressar isso, enquanto a masculina é mais contida. Os sentimentos se parecem. Juro”.

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