Jornalistas contam os desafios e dão dicas de como dividir a atenção entre família e carreira

Alana Rodrigues*

 
Aliar a realização profissional aos cuidados com a família também é um desafio para as jornalistas. Na rotina delas, a conquista por espaço e reconhecimento no mercado de trabalho caminha junto às múltiplas tarefas fora das redações. IMPRENSA conversou com profissionais que contaram os desafios de conciliar duas funções que exigem dedicação quase que integral.

Silvia Bessa, repórter especial do Diário de Pernambuco e colunista de IMPRENSA, diz que dividir a atenção entre família e o trabalho é "uma corda-bamba diária", em especial, quando os filhos acabam de nascer. Para ela, ser jornalista contribui na adaptação. "A gente tem mais facilidade em lidar com o improviso. Somos treinadas a todo momento", explica.


Crédito:Arquivo Pessoal
Silvia Bessa e suas filhas


A maior dificuldade das mães jornalistas é administrar agenda e tempo para ambos os lados. Mariana Kotscho, diretora e apresentadora do "Papo de Mãe", na TV Brasil, diz que as duas funções acabam se misturando, principalmente na busca por um caminho alternativo.

"A profissão e a internet, hoje, nos dão a possibilidade, por exemplo, de trabalharmos de casa. Mas muitas vezes fica difícil para o filho entender que quando a mamãe está no computador ela está trabalhando", explica ela.

Mãe de Laura, Isabel e André, a jornalista, que estava há 12 anos na TV Globo, decidiu pedir demissão e largar a vida de repórter de rua para se dedicar aos filhos. Ela diz que o programa dá a possibilidade de trabalhar, muitas vezes, de casa, planejar seus próprios horários e levar as crianças. "Elas gostam. O risco é todo mundo virar jornalista", brinca.
Crédito:Arquivo Pessoal
Mariana Kotscho e família


Já a repórter Rita Lisauskas, autora do blog “Ser mãe é padecer na internet”, no Estadão, e mãe de Samuel, conta que a carreira sempre foi prioridade na sua vida até os 30 anos, quando decidiu engravidar. As primeiras tentativas, entretanto, não deram certo e ela apenas conseguiu após fazer tratamento. Desde então, decidiu que a família seria sua prioridade.

"Hoje procuro topar trabalhos freelas e fixos que me permitam levar e buscar meu filho na escola e ficar mais tempo com ele. Eu e meu marido também trabalhamos em horários diferentes para que ele possa ficar com nosso filho de manhã e eu à tarde", explica.

"Com família e filhos, tudo pode sair do controle de uma hora para outra. E no jornalismo também, pela natureza dinâmica da profissão, claro", acrescenta Silvia. Ela conta que pensar na maternidade mais tarde foi uma boa escolha. Num casamento de mais de dez anos, era cobrada para ter filhos, mas não sentia vontade até passar por algumas experiências profissionais e pessoais.  

"Um dia deu uma vontade grande. E fiquei desejando. Tive a primeira filha, Anaís, aos 34 anos. Criança com síndrome, especial, partiu aos quatro meses de vida. Então ganhei na loteria e, aos 37 anos, tive as gêmeas Anita e Pilar. Cada uma veio no seu momento certo, inclusive para casar com algumas realizações profissionais", relata.
Crédito:Arquivo Pessoal
Rita Lisauskas


Para Silvia, a maturidade a ajudou a ter Anaís e enfrentar o luto da partida dela. "Aos 37 anos, passei a curtir tanto, tanto, tanto as minhas gêmeas que até hoje me surpreendo como em dois anos nunca tive uma crise de choro mesmo administrando a rotina gemelar e trabalhando mais de sete horas por dia", acrescenta.

Rita pondera que outra grande dificuldade é encontrar chefes que compreendam que o trabalho é somente uma parte de cada profissional. "Já ouvi que 'repórter não pode ser mãe' e outras baboseiras", relata.

Silvia acredita que a melhor maneira para manter o padrão de sucesso no trabalho e dar a atenção necessária à família é ficar longe de cobranças e descobrir o próprio modo de fazer a rotina dar certo. "A gente sofre mais do que deve. Quando notei o mal que estava me rondando, passei a conviver melhor com esses conceitos de ‘padrão de sucesso’ como mulher, mãe e jornalista”, comenta.

Outra dica da jornalista é procurar manter a concentração no que faz no momento. "Se está com seu marido, namorado, filhas, mantenha o foco na medida do possível. Se está na redação no meio de um texto denso e que você precisa entregar logo, deixe um fone para eventuais emergências e pare de olhar o celular a cada meia hora. Creia que a engrenagem doméstica está funcionando e faça outras engrenagens funcionarem".

Mariana concorda. O ideal é dividir o tempo de dedicação. "Já desisti de ser uma mãe perfeita, procuro ser uma mãe possível. A gente se reinventa, descobre novos caminhos. Sem cobranças, sem culpas. Querer ser a melhor em tudo não dá. Se, de quebra, a mãe jornalista ainda conseguir arrumar um tempinho pra ela, melhor ainda", acrescenta.

Para Rita, não existe sucesso na vida se não houver equilíbrio. "Sinto que faço sucesso se estou feliz com o meu trabalho, se faço uma matéria boa que ajuda as pessoas ou levanta discussões. Se eu trabalhar mais de 12 horas por dia e não ver meu filho acordado não valeu o dia. Ser bem-sucedido é fazer as coisas com a qualidade que você acredita que ela deva ser feita", conclui.
 
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