“É para ler? Ou ouvir? Eu clico ou arrasto? Levanto ou “tombo” o celular ou tablet?”, por Fernanda Iarossi

Projeto de literatura pode inspirar narrativas jornalísticas digitais

Fernanda Iarossi | 29/07/2020 08:28

As perguntas do título acima saem da cabeça de uma adulta tentando surfar, ou melhor, navegar via Instagram no perfil “Leia para uma criança” do Itaú, que reúne livros no formato de posts (que imitam as páginas impressas) com recursos visuais e sonoros. Além dos efeitos multimídia, brinca com o horizontal e o vertical ao segurar telas, tão comuns nos tutoriais para acessar ambientes on-line e plataformas de áudio e vídeo, imitando o folhear. Talvez elas não pintem na cabeça dos nativos digitais que já nascem com os dedinhos “touch” que deslizam facilmente entre celulares, tablets e afins.


Por que falar de um projeto de incentivo à leitura no Instagram bancado por uma fundação cultural de um banco aqui? Porque em toda aula no curso de Jornalismo sobre discussões de narrativas digitais, conceitos como crossmidialidade e transmidialidade, esta iniciativa merece ser estudada - serve para balançar as estruturas tradicionais do fazer notícia. Uma ideia de adaptação multimídia de narrativas literárias digitais muito bem arranjada que pode inspirar reportagens e apurações usando o que as mídias e redes sociais têm de melhor: “o quadradinho” que “empacota” o post pode muito bem ser “o quadradinho” para explorar os famosos - O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? - que há tempos moldam o beabá do fazer notícia. A “janela vertical” dos stories podem muito bem contar histórias e dar informação com o rigor jornalístico do dia a dia.


Crédito: Divulgação

Onde quero chegar? Se o celular é o principal dispositivo para acessar a Internet, usado pela quase totalidade dos usuários da rede (99%) no Brasil, se 58% dos brasileiros acessam a rede exclusivamente pelo telefone móvel, proporção que chega a 85% na classe DE (segundo levantamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br), porque o jornalismo não pode experimentar esta experiência cada vez mais mobile e que parece bem sucedida com o “Leia para uma criança” do Itaú?


Além disso, exemplos como os webstories que estão sendo testados para entregar a notícia (normalmente não as “quentes”, de última hora) pela Folha de S. Paulo e o UOL ajudam a alimentar esta reflexão.


Por que não olhar para os livros digitais via Instagram ou outras plataformas digitais e pensar como o jornalismo também pode explorar os espaços multimídia cada vez mais acessados pelo público em geral?


Mais sobre narrativas digitais? Drummond já inspirou reflexão em artigo anterior sobre jornalismo e linguagem transmídia.


Crédito: Arquivo Pessoal





*Fernanda Iarossi é jornalista, Mestre em Comunicação Midiática pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto. Professora nos cursos de Comunicação da UAM – Universidade Anhembi Morumbi e Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação e em São Paulo. Coordenada o Grupo de Pesquisa Discursos Midiáticos na Fapcom.



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