Distopia incentiva debate sobre as pressões da vida urbana na saúde mental

História de TCC

Redação Portal Imprensa | 02/07/2020 11:46

Um seriado ficcional traduz de que forma os padrões da vida urbana contribuem para uma piora na saúde mental da sociedade. “Distopia” foi pensado com base numa pesquisa desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta que São Paulo é a cidade com maior índice de transtornos psicológicos do mundo.


O roteiro original deste seriado, que é composto por sete episódios independentes, foi pensado como projeto de TCC por Karine Reis, Carlos Cavalcante, Carlos Coelho, Paulo Narciso e Sarah Pinheiro. Cada episódio relata o dia a dia de personagens que vivem em diferentes pontos da cidade de São Paulo.


Karine, que é produtora audiovisual e cultural, e se formou em Rádio, TV e Internet, em 2016, pela  Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação – Fapcom (SP), compartilha sua História de TCC ao Portal IMPRENSA.   


Crédito: Reprodução / Imagem de divulgação

Sobre o trabalho


Distopia é uma série ficcional de sete episódios independentes, que foi desenvolvida a partir do relatório São Paulo Megacity Mental Health Survey, realizado em 2012 pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), tendo como apoio um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta São Paulo como a cidade com maior índice de transtornos psicológicos do mundo. Segundo a pesquisa, as principais fontes para esse desencadeamento na piora da saúde mental são, particularmente, os padrões da vida urbana. Deste modo, a cidade é o pano de fundo e único fator comum entre os episódios. 


Rodamos apenas o piloto "Celeste", que conta a história de uma jovem que desencadeia um surto psicótico. E para os demais episódios, construímos apenas os roteiros. Toda a produção se inspirou nos comportamentos de indivíduos que moravam em grandes metrópoles e sofreram de transtornos psicológicos. A narrativa é uma ficção do gênero suspense. 


Distopia, nome dado ao projeto, surgiu para apresentar características da nossa sociedade atual. O termo tem uma ideologia social que traz à tona uma sociedade com condições de vida caracterizada pela opressão, violência e doenças - algo que se assemelha ao que estamos vivendo por conta da Covid-19. O projeto é ambientado na cidade de São Paulo, pois a mesma se insere em um cenário distópico.


A série traz uma reflexão ao público em relação à sociedade atual e às pressões

psicossociais adquiridas e ‘carregadas’ no dia-a-dia pelos indíviduos em uma grande metrópole.


Principais desafios ao longo da produção


Um dos maiores desafios foi a questão da produção técnica alinhada com a defesa da escrita. Tínhamos dois grandes produtos a serem defendidos, além da linguagem narrativa. Em 2016, estava começando a produção em massa de séries com a proposta on demand, então vimos o projeto dentro dessa linguagem por conta da dimensão que tinha a pesquisa. Nesse sentido, corremos contra o tempo para realizar toda a proposta técnica que queríamos, junto com a defesa do projeto.


A escolha dos personagens foi uma etapa bem difícil também, tivemos bastante inscrições e foi difícil definir os perfis.


Os aprendizados


Foram diversos aprendizados durante todo o processo. Um dos maiores foi a identificação com o tema por todos que conheceram o projeto. Inclusive, durante a fase de escolha do casting, todos os inscritos tinham uma ligação direta com o tema - tinham sofrido com alguma doença psicológica, ou perdido alguém por causa dessa doença, ou trabalhavam em clínicas de saúde mental. 


Recebíamos mensagens na página do projeto com relatos de pessoas que começaram a desencadear algumas das doenças depois que se mudaram pra cidade grande ou por conta de outros fatores, como desemprego, opressão no mercado de trabalho, aceitação social.


Distopia foi um trabalho de identificação e, por mais que fosse um projeto audiovisual de ficção, retratou a realidade de muitas pessoas, o que ajudou a ter um olhar mais sensível para o projeto e a nossa realidade fora dele.


Significado dessa experiência


A experiência foi a de representar uma construção coletiva que incentiva um debate social. Esses distúrbios mentais são algumas das doenças do século, e têm a ver com as pressões do dia-a-dia. Então é importante frisar que todos precisam ter acesso a cuidados, e à saúde. 


Quando a gente propõe esse debate por meio de um filme - que pode ter uma ilustração melhor -, as pessoas começam a ter autoconsciência, passam a se abrir mais, a compartilhar. E foi o que aconteceu, conseguimos ter uma entrega social.


Contribuições que o trabalho trouxe 


Em 2017, um ano após a entrega do TCC, pude viajar para alguns estados do Brasil, com o apoio da faculdade, para divulgar o Distopia. Ganhei prêmios, participamos de um fórum de saúde, e tudo isso me proporcionou boas conexões com outros profissionais. Na minha carreira de produtora audiovisual, tenho orgulho de ter realizado esse trabalho.


Conselhos para quem está fazendo o TCC


Agora, em 2020, são tempos difíceis por conta da pandemia que o mundo está enfrentando, e muitas mudanças comportamentais podem influenciar na piora da saúde mental. Então, se mantenha firme!


Escolha um tema que te agrade, que desperte a sua curiosidade e vontade de mostrar aos demais sobre ele. Invista nos seus conhecimentos, procure novas técnicas e, principalmente, acredite no audiovisual brasileiro. Confie no valor da pesquisa, da arte e cultura do nosso país e também no seu potencial. 


Assista ao teaser do piloto “Celeste”. 


   



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