Opinião: "Universos escolar e midiático cada vez mais juntos", por Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves | 29/05/2020 17:40
Crédito:Pixabay


Durante a leitura de Redes ou Paredes: a escola em tempos de dispersão, de Paula Sibilia, eu me deparei com um trecho em que a autora apresenta as tentativas que escolas fazem na hora de usar mídias no ambiente escolar. Sibilia compara a cultura audiovisual com os aparelhos móveis de comunicação e informação e destaca a busca que essas instituições têm realizado de unir esses universos - o escolar e o midiático - usando modos inovadores, mas, ainda, com métodos experimentais e resultados incertos.  

Atualizando para o momento em que escolas estão fechadas por conta da pandemia do novo coronavírus, será que é possível reduzir essas incertezas e investir nas tentativas de reconhecer que escola e mídia podem ser bons amigos? Se dentro da escola um telefone celular é visto como inimigo, para um professor que está dando aula de forma remota é o aparelho móvel o dispositivo a ser usado para mediar o acesso ao conteúdo escolar.

A questão a ser entendida não está relacionada aos objetos em si. Quero dizer que não se deve pensar nos aparelhos de celular, no televisor ou no jornal impresso como mídia. Estes são os meios em que a mensagem encontra para ser disseminada. O que deve ser levado em conta é o aspecto cultural por trás do consumo de mídia. Quando penso em escola e tecnologias digitais, eu prefiro destacar os aspectos da cultura audiovisual, da comunicação móvel, da produção de conteúdo e da ruptura do tempo e do espaço que a comunicação conectada à internet traz como conceito.

Ainda pode levar um pouco mais de tempo para que a escola reconheça a importância das mídias na educação. Algumas iniciativas fora do campo acadêmico, por exemplo, como o Programa Educamídia, do Instituto Palavra Aberta, já incentivam e reconhecem a importância das mídias na escola como possibilidade de formação de cidadãos críticos ao consumo de informação. Ainda há eventos como o ComKids que ressaltam a produção audiovisual.

A escola é um organismo vivo e complexo. São muitas pessoas envolvidas para fazer o sistema rodar. Quem vai liderar a mudança de mentalidade para que os universos escolar e midiático se encontrem cada vez mais, eu não sei. Arrisco dizer que os gestores precisam assumir para si este papel e conquistar os demais públicos. Estou falando do engajamento dos professores, pais, coordenadores, administrativo e estudantes. A resposta imediata que eu tenho agora e que parece atualizar o pensamento de Sibilia está no que Paulo Bilkstein considera ser o professor pós-pandemia. Bilkstein acredita que devamos formar professores para atuar em vários cenários e mídias e não somente na sala de aula. O professor deve desenvolver habilidades de design e pedagogia de altíssimo nível para que ele consiga transitar entre as diferentes mídias com eficiência.

Da minha parte eu colaboro com a criação da Semana da Mídia da Escola. Neste projeto, que tem os dias 26, 27, 28, 29 e 30 de outubro de 2020 para acontecer, é uma iniciativa que faz parte da Academia de Educadores Google Innovators. Para conhecer mais do projeto, convido que nos siga no Instagram pelo perfil @midianaescola. Quem curtir a ideia de ter cada vez mais próximos os universos escolar e midiático, é super bem-vinda sua participação. Por fim, voltamos à Paula Sibilia concordando que para revitalizar a educação devemos incorporar a mídia e a conexão global ao âmbito escolar.

Crédito:Arquivo pessoal

Sobre o autor: Marcio Gonçalves é Educador Google Innovator, Professor de Jornalismo e Coordenador Acadêmico da Spot Educação.

Leia também