“Procurei entender e informar sobre como a endometriose afeta a vida das mulheres da periferia”, diz Isadora Cabrera

Gisele Sotto, em colaboração | 08/05/2020 11:16
Isadora Cabrera partiu de sua experiência, após receber o diagnóstico de endometriose, para entender mais sobre a doença. Considerando o desgaste que teve, e os valores altos que gastou com todas as etapas do tratamento, imaginou como viviam as mulheres periféricas com endometriose. 

Na introdução de seu livro-reportagem “Um olhar sobre a endometriose: mulheres das periferias”, que desenvolveu como projeto de TCC, ela revela que seu desejo é que o livro “seja um trabalho que informe as mulheres da periferia sobre essa doença tão comum, podendo auxiliá-las a entender o que acontece com seu corpo e a reivindicar seus direitos”, considerando especialmente o acesso a exames de diagnóstico e a tratamentos. 

Jornalista formada pela FAM - Faculdade das Américas (SP), em 2019, Cabrera compartilha aqui sua História de TCC. 
Crédito:Reprodução da capa do livro


Sobre o trabalho

Meu TCC foi o livro-reportagem "Um olhar sobre a endometriose: mulheres das periferias". Nele, há a história de diferentes mulheres diagnosticadas com endometriose. Escolhi esse tema com o recorte das periferias para entender e informar como a doença afeta a vida das mulheres em diferentes aspectos, principalmente na parte econômica. Por ser uma doença que gera um custo alto, com o diagnóstico, exames de acompanhamento, e o tratamento, quis entender como as mulheres das periferias de São Paulo convivem com a patologia. 

Desafios ao longo da produção

Acredito que um dos principais desafios foi encontrar fontes da área da saúde pública para entrevistar, pois não conhecia muitas pessoas, e para que essas fontes aceitassem ser entrevistadas foi difícil. Também tive um pouco de dificuldade em realizar o relatório do TCC, pois precisa estar de acordo com as regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).  

Os aprendizados

Aprendi muito com minha orientadora Juliana Doretto e com os relatos das fontes. Como eu tenho endometriose, foi como estar em um grupo de terapia ao ouvir cada relato. Sentia identificação e a felicidade de poder ouvir suas histórias e ajudá-las de alguma forma, seja divulgando informações sobre a doença, ouvindo seus relatos ou dando conselhos.
Crédito:Arquivo pessoal

Significado dessa experiência

Foi com certeza a experiência mais gratificante da graduação. Escrever meu próprio livro e com a ajuda de uma jornalista incrível, como a Juliana, foi uma experiência única. Ela exigia o máximo de seus orientandos, porque sabia que conseguiríamos realizar um trabalho lindo. Eu me senti muito realizada como profissional e também como pessoa, pois estava desenvolvendo um projeto que se relacionava totalmente com meus valores e desejos. 

Contribuições que o trabalho trouxe

Quando mostro o trabalho em entrevistas de emprego e para amigos próximos, fico feliz em ver como as pessoas gostam do livro. Além disso, receber mensagens de leitoras desconhecidas, dizendo que o livro ajudou durante a descoberta da doença, também me deixa muito feliz. Acredito que ele só acrescenta sentimentos bons para mim, tanto para pensar nos próximos projetos, quanto para entender como consegui fazer um trabalho do jeito que queria. 

Conselhos para quem está fazendo o TCC

Aconselho muito a ir a todas as orientações, sem falta. Quando nos perdemos no cronograma, tudo tende a se desorganizar. É importante cumprir as pequenas metas estabelecidas pelo orientador e manter o foco. Por mais que seja difícil, no final é muito gratificante ver que todo esforço valeu a pena. 

Para ler o livro “Um olhar sobre a endometriose: mulheres das periferias”, acesse este site

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