Opinião: “Janelas-telas e/ou telas-janelas”, por Fernanda Iarossi

Manifestações políticas e artísticas têm mudado a paisagem urbana, mesmo que temporariamente

Fernanda Iarossi | 05/05/2020 12:03
As imagens e os sons vão e vem, porém (re)marcam os usos dos espaços ora familiar, mais pessoal, ora público, para todos.

Isso não só durante a pandemia do novo coronavírus. Tempos recentes as janelas viraram palco para panelaços, bandeiraços e afins.

O assunto ganha força ao acompanhar a jornalista Luciana Moherdaui, com as reflexões sobre “como as telas urbanas de projeções efêmeras irão reconfigurar as cidades” em projeto de pós-doutorado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
Crédito:Reprodução / Instagram

A “moldura”, que comumente serve para entrada da luz do sol, da chuva, do vento (ou barrá-los), com ou sem cortina, com ou sem penduricalhos, aberta, meio aberta, meio fechada ou fechada, de alumínio, de madeira, no formato retangular, oval, quadrado (…), vira área para frases de protesto, obras de arte, trechos de poemas, projeções de filmes, cenas que ajudam a divertir, refletir. Quebra a monotonia das imensidões de concreto nas cidades.

Em tempos de pandemia, essas telas urbanas viram mais uma ferramenta para passar o tempo durante o isolamento, para proteger do vírus invisível que está devastando nossas formas de encarar o mundo.

Obrigada, professora Luciana por ajudar a iluminar, pelo olhar da ciência, mais este efeito colateral em um momento de incerteza, instabilidade. Obrigada por lembrar que sem ciência a gente não avança, mesmo diante de uma pandemia. Obrigada por mostrar que com ciência nem uma aparentemente projeção nas paredes das cidades passa em branco. Obrigada por reforçar como é importante, para história da humanidade, observarmos, com o olhar do cientista, as eternas telas urbanas, especialmente diante de (r)evoluções sociais.

Mais sobre em: “As projeções coletivas de março”, por Luciana Moherdaui.  

Crédito:Arquivo pessoal

*Fernanda Iarossi é jornalista, Mestre em Comunicação Midiática pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto. Professora nos cursos de Comunicação da UAM – Universidade Anhembi Morumbi e Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação e em São Paulo. Coordenada o Grupo de Pesquisa Discursos Midiáticos na Fapcom. 

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