Opinião: “E agora, José?”, por Fernanda Iarossi

Reflexões sobre os aspectos transmidiáticos no jornalismo brasileiro

Fernanda Iarossi | 28/04/2020 15:42
Crédito:Pixabay


Não é para seguir com o poema de Carlos Drummond de Andrade… É que a pergunta que abre “José”, obra de um dos poetas mais importantes do mundo, logo vem ao discutir com os alunos o que é uma narrativa transmídia no jornalismo.

“Ué, mas o jornalismo sempre foi transmídia, professora”. “A notícia da TV está no rádio, que está no impresso, que está no site”.

Opa, aí vem “Quadrilha” – mais uma do brilhante Drummond: 

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém. …

Ops, voltando…

“Isso, aluno! O trânsito entre diferentes mídias (agora estendido para diferentes plataformas na cibercultura) sempre foi característica da produção jornalística muito antes da popularização da internet, do mobile e de toda a tecnologia digital em tempos de #TodoMundoConectadooTempoTodo”.

O desafio agora é pautar, entrevistar, editar, diagramar, programar, organizar editorialmente narrativas que não ficam apenas “dentro” dos meios de comunicação.

Uma inspiração é o Projeto 100 - 100 histórias, 100 remoções, 100 casas destruídas pelos Jogos Olímpicos 2016, da Agência Pública: histórias de vidas, o arroz com feijão do jornalismo, norteando entrevistas, podcasts, intervenções culturais… Usar o instrumental básico de entrevistas, personagens, fontes, para criar extensões jornalísticas e culturais e assim ajudar a retratar realidades, fatos, acontecimentos. Está aí o que muitas vezes subestimamos ao pensar em transmidialidade no jornalismo.

Tem mais: quem decide como navegar por todo este “pacote informacional” é a audiência, que clica, dá play, pausa, lê, assiste, ouve, visualiza, desce ou muda a página. Compartilha, comenta, recomenda, avalia.

Além do trânsito entre diferentes formatos convergentes, o jornalismo transmídia lida com a recepção caótica (no bom sentido) do público, que pode acessar tais narrativas de um celular ou computador ou Smart TV, estando muitas vezes em movimento ou dividindo a atenção com outras ações do mundo digital.

E agora, José? 

Crédito:Arquivo pessoal

*Fernanda Iarossi é jornalista, Mestre em Comunicação Midiática pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto. Professora nos cursos de Comunicação da UAM – Universidade Anhembi Morumbi e Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação e em São Paulo. Coordenada o Grupo de Pesquisa Discursos Midiáticos na Fapcom.

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