Opinião: “O papel do jornalismo público como ‘vacina’ na pandemia de coronavírus”, por Wagner de Alcântara Aragão

Wagner de Alcântara Aragão | 14/04/2020 16:08
Entende-se como “jornalismo público”, neste artigo, o conteúdo jornalístico produzido por assessorias de imprensa ou comunicação do poder público – em suas mais diversas esferas, instâncias e órgãos.

Estabelecido o conceito, vamos ao cerne desta explanação, qual seja a de reiterar a importância da prática jornalística pelo Estado.

Nestes tempos de pandemia do novo coronavírus, em que a informação é - junto com as providências fitossanitárias e de assistência à saúde - um dos principais instrumentos para enfrentarmos esse período, o trabalho das assessorias de imprensa governamentais é fundamental.

As agências de notícias dos governos estaduais, das prefeituras, de órgãos como ministérios, secretarias, institutos têm prestado um serviço indispensável.

Indispensável para os profissionais dos meios de comunicação, como não poderia ser diferente, em se tratando de assessoria de imprensa.

Mas fundamental também para o público em geral.

Mês passado, em artigo aqui no Portal IMPRENSA, advertimos para os “desertos de notícias” - os 60% dos municípios brasileiros que não contam com veículo jornalístico local. Pois as assessorias de imprensa das prefeituras têm, em absoluta maioria dos casos, ajudado a preencher essa lacuna.
Crédito:Jefferson Peixoto, da Secretaria Municipal de Comunicação de Salvador
Campanha de vacinação em Salvador

Muitos brasileiros e brasileiras estão sabendo a quem procurar, aonde recorrer em seus bairros, suas cidades, pelas informações produzidas pelo jornalismo público.

Muitas fake news estão sendo prontamente desmascaradas graças à prontidão de equipes de jornalismo em assessorias de imprensa ou comunicação de órgãos da administração pública.

Até o momento, as eleições para prefeito e vereador estão mantidas para 2020. Continuando assim, ou sendo transferidas para depois, não importa, o fato é que postulantes ao Executivo e ao Legislativo devem ser cobrados em suas plataformas de governo sobre o que pensam, o que planejam para a comunicação pública.

Passou da hora de os gastos em comunicação por parte da administração pública serem direcionados à prestação de serviço à coletividade, não à propaganda de gestões e seus gestores.

Ressalve-se: não se trata de proibir propaganda. A publicidade e propaganda, as relações públicas, a comunicação institucional, a assessoria de imprensa, o marketing são ferramentas e linguagens legítimas. Podem e devem ser práticas da comunicação governamental. O que precisa mudar é o conteúdo: ser voltado ao cidadão, ao povo, não à exaltação de governantes.

Os cursos de formação e aperfeiçoamento de profissionais – as graduações, as extensões e as especializações – têm potencial formidável de contribuição para esse processo. Ao dedicarem disciplinas e atividades voltadas às particularidades do jornalismo público, colocarão no mundo do trabalho repórteres, editores, pauteiros muito mais preparados para os desafios desse segmento.

Crédito:Arquivo pessoal

*Wagner de Alcântara Aragão é jornalista e professor de disciplinas de Comunicação na rede estadual de ensino profissional do Paraná. Mestre em Estudos de Linguagens (UTFPR). Mantém um site de notícias (www.redemacuco.com.br) e promove cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e Cultura, sobre as quais desenvolve pesquisas também.

Leia também