“Os tabus ainda são muito presentes quando se fala de HIV e AIDS”, diz o jornalista Anderson Santana

Gisele Sotto, em colaboração | 13/03/2020 13:40
Anderson Santana desenvolveu uma reportagem especial para discutir o cenário atual relacionado ao HIV entre jovens na Paraíba. 

“Verifiquei que os temas HIV e AIDS não tinham sido tratados recentemente nos Trabalhos de Conclusão de Curso do Bacharelado em Jornalismo da UFPB, bem como senti falta de visibilidade da questão no cotidiano dos telejornais locais. A partir disso, passei a me interessar pelo assunto e pesquisar mais”, esclarece Santana sobre a escolha do tema para a reportagem.  

Ele se formou em Jornalismo neste ano pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB, e aqui compartilha sua História de TCC.   

Sobre o trabalho 
A reportagem especial “É preciso falar sobre HIV” tem como objetivo principal apresentar o atual cenário relacionado ao HIV entre jovens – com idades entre 15 até 29 anos - na Paraíba, especialmente João Pessoa. O trabalho traz entrevistas com pessoas que vivem com o HIV e especialistas de saúde a respeito de práticas sexuais de risco, a fim de contribuir com a visibilidade dos métodos de prevenção, tratamento e desmistificação de preconceitos. 

Principais desafios ao longo da produção
Por ser no segmento de jornalismo de saúde, foi um desafio falar de algo que eu não tinha base. Precisei pesquisar muito pra falar sobre a temática do HIV e da AIDS, não conhecia ninguém que vivesse essa realidade. 

Além disso, os tabus ainda são muito presentes na sociedade brasileira quando se trata dessa questão; isso dificultou, por exemplo, conseguir jovens para falar abertamente sobre o tema. Mas era preciso continuar, vencer os obstáculos e falar dessa questão, muitas vezes tão estigmatizada. Pude perceber que o preconceito e a intolerância são fatores que causam medo nessas pessoas quanto à exposição. Como também, por ser estudante e não de um veículo de comunicação, houve impedimento para gravar em hospitais, apesar de diversas solicitações da coordenação do curso através de ofícios. 

Por fim, gravar todo o material com um smartphone têm suas limitações, foi preciso driblar os problemas de iluminação, ruídos e imagens tremidas.
Crédito:Arquivo pessoal
Anderson Santana, na banca do TCC, com as professoras Patrícia Monteiro e Fabiana Siqueira, da UFPB, e a repórter da TV Cabo Branco e mestra Zuila David

Os aprendizados 
Foram muitos aprendizados, desde a superação das dificuldades técnicas graças à orientação da professora Fabiana Siqueira, além de diversos esclarecimentos quanto ao HIV e a AIDS. Também adquiri a experiência prática em todas as etapas de realização da reportagem, e tive a oportunidade de conhecer personagens, dentre profissionais, representantes de entidades  e ativistas, e ter acesso aos seus relatos.

Significado dessa experiência
Uma experiência única e enriquecedora, pois pude unir os conhecimentos que adquiri ao longo de quatro anos, por meio dos professores da UFPB, colocando-os em prática e exercendo diversas funções: desde produtor, repórter, cinegrafista, até editor. Claro que contei com o auxílio indispensável de amigos do curso, dentre eles Allan Luna, que gravou minhas passagens com filmadora e microfone com fio, e Lucas Adriel, que me ajudou na edição do material. Toda essa trajetória me deixou mais preparado para o mercado de trabalho.

Acredito que os contatos que pude fazer, os conhecimentos que adquiri, toda a bagagem e portfólio podem me levar a realizar o sonho de ser repórter televisivo.

Conselhos para quem está fazendo o TCC
Saia da zona de conforto, mergulhe no desconhecido para adquirir experiências novas, busque um tema que você tem pouca familiaridade, mas que precisa ser falado, necessita de mais visibilidade. Investigue, pesquise a fundo e não desista, apesar de qualquer dificuldade. Desafie-se, mas não se esqueça de contar com a ajuda de outras pessoas, ninguém faz nada sozinho.


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