Opinião: “Pandemia de COVID-19 e o #acessolivre a informações”, por Fernanda Iarossi

Ações de veículos de comunicação após anúncio da OMS podem contribuir com o combate a conteúdos falsos ou "que parecem de verdade"

Fernanda Iarossi | 13/03/2020 12:00
A Organização Mundial de Saúde declarou em 11 de março pandemia do novo coronavírus (até um dia depois desta data eram quase 120 mil casos do COVID-19 confirmados em 114 países). O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou que até a segunda semana de março "o número de casos fora da China aumentou 13 vezes e o número de países afetados triplicou". Diante dos números alarmantes, um mutirão envolvendo diferentes esferas do poder público e privado tentam ajudar no combate, nos cuidados e nas formas de atendimento para evitar ainda mais caos.
Crédito:Pixabay

Neste cenário, chamaram atenção no Brasil de quatro meios de comunicação: por exemplo, Exame, Veja, Folha de S.Paulo e Nexo liberaram o acesso a matérias, artigos, análises sobre o coronavírus, derrubando o chamado paywall, ou seja, o acesso pago ao conteúdo digital. 

A iniciativa parece mais uma ação de marketing das empresas de comunicação para tentar atrair mais (e novos) leitores, mas também suscita a reflexão sobre o papel social do jornalismo e da imprensa em um momento de preocupação com um assunto tão urgente como a proliferação de uma nova versão de vírus e diante da proliferação das chamadas fake news. Teoricamente, quanto mais o público acessa informações gratuitamente que colaboram para educar, desmistificar, mobilizar de maneira efetiva em torno de uma discussão saudável parece sempre alimentar esta função básica de todo bom jornalismo.

Além disso, esta ação também ajuda no debate sobre conteúdo pago (ainda mais no digital): o modelo de assinaturas digitais, a "parede porosa" que permite cliques limitados (tem um cenário atual sobre o paywall aqui). 

A escolha, no fim, não é sobre acesso pago ou não, mas sobre descobrir como gerar a receita dupla de que as empresas de notícias sempre dependeram e ainda se manter flexível.

Crédito:Arquivo pessoal

*Fernanda Iarossi é jornalista, Mestre em Comunicação Midiática pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto. Professora nos cursos de Comunicação da UAM – Universidade Anhembi Morumbi e Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação e em São Paulo. Coordenada o Grupo de Pesquisa Discursos Midiáticos na Fapcom.

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