“Valorizo essa curiosidade saudável de querer dar visibilidade ao próximo”, afirma a jornalista Yasmin Taveira

Gisele Sotto, em colaboração | 13/02/2020 13:11
Yasmin Taveira desenvolveu uma grande reportagem multimídia para contar uma história marcada por encontros e despedidas, que traz também para o debate a temática da adoção.  

Formada em Jornalismo pela Faculdade Canção Nova (SP) em 2018, Yasmin compartilha aqui sua História de TCC. 
Crédito:Arquivo pessoal

Sobre o trabalho
Meu trabalho é uma grande reportagem multimídia sobre um perfil jornalístico, construído por meio de uma linguagem literária, com o objetivo de apontar personagens reais dentro de uma narrativa intimista, o que aproxima o leitor da história. 

A história contada é a de uma mulher de 32 anos chamada Victoriana que, ao nascer, foi adotada por uma família e soube disso por meio de uma carta escrita por seus pais e irmãos. Após alguns anos, Vick conheceu sua família biológica e, desde então, passou a ter contato e maior aproximação com sua mãe e irmãs, criando assim um vínculo harmonioso e respeitoso entre ambas as partes.

O objetivo do meu TCC foi relatar a vida da perfilada a partir de entrevistas com familiares. Busquei reconstruir a infância, adolescência e juventude, explorar a sensorialidade do leitor a partir das potencialidades multimidiáticas, relatar as experiências vividas pela perfilada e conscientizar o leitor sobre aspectos relacionados à temática da adoção.
 
Principais desafios ao longo da produção
Transformar uma pessoa do cotidiano em uma personagem marcante e original, e atentar-se aos detalhes e emoções sem perder o foco como jornalista, é um grande desafio. Principalmente quando se trata de alguém da sua família. Victoriana é minha tia, e 90% das fontes que busquei para relatarem a história são do meu convívio. Quem é jornalista sabe que é importantíssimo manter uma certa distância dos entrevistados. Muitas vezes era difícil, até mesmo para eles, diferenciar o pessoal do profissional. Dentre tantos desafios, esse sem dúvida foi o maior deles. Jogo de cintura e dinamismo foram importantes para eu conseguir lidar com a situação sem perder o foco na história.
 
Os aprendizados
Aprendi que é necessário sair da zona de conforto e correr atrás das coisas sozinha, assumindo responsabilidades. Sempre tive o apoio de pessoas importantes pra mim, principalmente da minha orientadora e dos professores da faculdade, mas não se pode contar com outras pessoas o tempo todo, afinal de contas o trabalho é seu. Ler e estudar o tema é fundamental, muitas vezes cansa, mas é preciso ter domínio sobre tudo que você se propõe a fazer para realizar com maestria. Meu trabalho exigiu muita escrita, então tudo aquilo que os professores ensinaram com relação a uma grande reportagem e escrita jornalística eu coloquei em prática e fez diferença. Pensei que não tivesse mais o que aprender com relação a isso, mas o TCC me surpreendeu. Aprendi também que não são necessários grandes recursos para se fazer um bom trabalho. Pesquisas são fundamentais para projetar o TCC dentro da sua realidade. Eu não tinha recursos financeiros para pagar, por exemplo, um programador de sites. Então corri atrás de uma plataforma que me possibilitou fazer o que queria, do jeito que eu queria, e por um precinho camarada. Deu super certo!
Crédito:Reprodução

Significado dessa experiência
Foi possível colocar em prática um pouco de cada matéria que aprendi no decorrer do curso. Eu sempre fui amante de histórias de vida, mas não imaginava que seria algo tão complexo como se atentar aos detalhes, sons, cores... Foi uma experiência voltada para a percepção que me marcou muito. Contar a história de alguém tão importante e que fez parte da minha criação também foi uma experiência singular. A tia Vick (personagem da história) é uma pessoa que sempre me inspirou, é um exemplo de independência e garra para mim. Poder contar a história dela como trabalho de conclusão, colocando em prática tudo o que aprendi durante o curso, é de grande valor. Foi emocionante, depois de quatro anos estudando, conseguir fazer um trabalho que envolvesse as pessoas que eu mais amo na vida e que fazem parte da minha trajetória. Todo mundo teme um TCC, afinal de contas é a reta final. Mas ouso dizer que me senti abraçada e muito confortável durante a realização do meu. E pra mim não há palavra que represente isto, me limito a definir em uma expressão: “eu sou capaz”.
 
Contribuições que o trabalho trouxe 
Eu acredito que o TCC é um bom portfólio para trabalhos futuros, mas eu o vejo além disso. Como disse, a percepção que o trabalho exigiu de mim é algo que agora faz parte do meu “olhar para o próximo”. Sempre fui muito observadora, mas agora consigo perceber ainda mais certas coisas. Olho para as pessoas na rua, aquelas que antes passavam despercebidas, e sinto curiosidade em saber de onde elas vêm, o que fazem, o que sentem. Como jornalista, acho isso importantíssimo, essa curiosidade saudável de querer dar visibilidade para o próximo. O jornalismo é a minha paixão, eu não consigo pensar nele somente como um propagador da notícia, mas o quanto ele pode ser um propagador de boas histórias em meio a tantas notícias ruins que vemos por aí.
 
Conselhos para quem está fazendo o TCC
Tudo gira em torno do seu planejamento, organize-se. Quando a gente se planeja, por mais que algo não saia do jeito que esperava, haverá tempo para reverter a situação, pois tudo será pensado com cautela e dentro do prazo estipulado. Não comece pensando no que pode dar errado, mas sim no quanto você pode se divertir com isso. O principal ponto na hora de escolher o tema e formato do TCC é pensar naquilo que você terá prazer em desenvolver, que tenha a ver com seus gostos e preferências. Se você gosta de futebol, não tem porque falar de política. “Ah, mas eu quero me desafiar”. Me julguem, mas não acho legal e nem saudável querer se desafiar durante um projeto tão importante como um TCC, já que os desafios não vão faltar. 

No entanto, é importante sempre querer se superar. Explore, não se contente somente com aquilo que está “debaixo do seu nariz” e corra atrás do sim, porque o não muitas vezes encontramos antes mesmo de dar início ao trabalho. Respira fundo, faça tudo com alegria, perca noites se for necessário, mas nunca, em hipótese alguma, entregue algo que não esteja 100% do seu agrado. É o seu TCC, é hora de mostrar o seu potencial. Em alguns momentos você não conseguirá organizar seus pensamentos, se perderá em meio a tantas palavras, conteúdos, imagens, áudios. Aí é a hora de parar, respirar, ouvir uma música ou até mesmo sair com os amigos para falar de outros assuntos. Isso renova nossas energias, e o trabalho rende mais. É possível conciliar, mas depende do primeiro passo: planejamento.

Confira aqui a grande reportagem “Uma carta à Vick”

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