Opinião: "Oportunidades da Transformação Analítica", por Marcelo Molnar

Marcelo Molnar | 12/02/2020 11:08
Vivemos em uma época em que as pessoas precisam desenvolver novas formas de lidar com a variedade de desafios que enfrentam. A evolução digital fez com que a sociedade experimentasse mudanças importantes em quase todas as relações. Estamos cada vez mais conectados. Através de complexos algoritmos, informações são geradas de forma contínua, alimentando enormes banco de dados que devem ser usados para melhorar nossas decisões nas mais distintas atividades. Tudo está acontecendo em uma velocidade insuportável. Sim! A tecnologia avançou a ponto de nós, humanos, nos tornarmos os fatores limitantes destas mudanças. É neste cenário que surgem novas ferramentas para organizar o aparente caos ao nosso redor. Uma delas é a transformação analítica.

No livro “O Clássico e o Novo”, a professora Paulete Goldenberg, afirma que a passagem do dado para a informação é determinada por processos de transformação analítica. Informação se produz a partir de dados analisados de modo adequado, no sentido de que estes devem ser processados com o objetivo de resolver um problema, responder uma questão ou testar uma hipótese. Nesse sentido, análise implica em um processo de organização, indexação, classificação, condensação e interpretação de dados, com o objetivo de identificar comunalidades de dimensões, atributos, predicados e propriedades entre casos individuais.
Crédito:Pixabay

Já ouvimos falar muito de transformação digital, que pode ser definida como um fenômeno que incorpora o uso da tecnologia digital às soluções de questões tradicionais. Ela abrange mudanças procedurais em diversos âmbitos, modificando o paradigma da utilização das capacidades humanas. Evoluindo nesse cenário, a transformação analítica permite novas formas de olhar para os processos envolvendo informações, costumes e comportamentos. Em vez de se propor um tema de investigação e depois partir para a busca ativa, podemos mergulhar nos acervos de dados coletados e abundantemente disponíveis, para identificar lacunas ou pontos de conexão que valem ser explorados com mais profundidade. Aos olhos atentos e mentes curiosas, novas perguntas aparecem. Com treinamento e orientação, essa conduta se torna natural. Afinal, não é normal aceitarmos viver na superficialidade a qual o modelo contemporâneo aparentemente nos condenou.

Nem todos nós somos matemáticos, ou temos facilidade em lidar com correlações estatísticas. E, sabendo desta verdade, especialistas desenvolveram aparatos que automatizaram a estruturação de dados. Utilizando-os, todos podemos aperfeiçoar o pensamento analítico, pois se trata de um exercício de explicar as coisas através da decomposição em partes mais simples, que são mais facilmente entendidas ou solucionadas, ao invés de considerarmos o todo. Muitos foram os estudos destacando a importância da distinção entre pensamento analítico e intuitivo. Há momentos e situações adequadas para o uso de cada um e, em determinadas situações, a utilização de ambos simultaneamente. O pensamento com plena consciência da informação envolve raciocínio cauteloso e dedutivo, muitas vezes utilizando a lógica e o planejamento de ações.

Diversas áreas podem ser oportunamente beneficiadas, como a medicina, economia, transporte, logística, direito entre tantas outras. Para tangibilizar vamos exemplificar com uma atividade financeira. Em síntese, a atividade bancária surgiu como forma de guardar o dinheiro de modo seguro. Com o passar do tempo, surgiram diversos tipos de aplicações financeiras para remunerar os poupadores. Emprestar dinheiro cobrando juros, com garantia de devolução, decretava o sucesso da operação. Para isso, exigia-se infinitas informações de dados cadastrais para se determinar o perfil de crédito. Historicamente, verificava-se se o tomador do empréstimo era um bom pagador. Porém, as informações sobre o que seria feito com o dinheiro ficavam em segundo plano. Muitas vezes, apenas para garantir o confisco dos bens, em caso de inadimplência.

Atualmente, pode-se ir além. Pois, a princípio, ninguém se torna um caloteiro por opção. Isso normalmente ocorre quando os planos do investimento dão errado. Com a transformação analítica o banco tem condições de analisar em detalhes onde o dinheiro será investido e orientar a melhor forma de utilização dos recursos. Algumas vezes com participação nos resultados. As instituições financeiras têm à disposição muitas informações e conseguem estudar ampla e profundamente os cenários mercadológicos, mitigando os riscos.

A diferença parece sutil, mas impactante nos resultados. As informações disponíveis de uma instituição financeira são infinitamente superiores em comparação a de um indivíduo, e devem ser utilizadas de forma adequada. Estamos nos adaptando ao uso de grandes quantidades de dados, atividades antes consideradas impossíveis passarão a ser triviais. Segundo o futurista Raymond Kurzweil, “Lançar uma ideia inovadora é como atirar ao alvo. As necessidades das pessoas mudam, então você deve mirar bem à frente do alvo para atingi-las.” Temos um novo refrator!

Crédito:Arquivo pessoal

Sobre o autor: Marcelo Molnar é formado em Química Industrial, pela Faculdade Oswaldo Cruz, com pós graduação em Marketing e Publicidade, pela ESPM. Experiência de  18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação da BrasilConsult, Viscoplan, HAC, SDGroup e Nexial. Trabalhou como analista de Pesquisas de Mercado com institutos como Meta Group, Gartner Group, IDG e CVA, desenvolvendo projetos para o Bradesco, Itaú, Telefônica, Banco Santander, Banco Toyota, UOL, Pão de Açúcar, Editora Abril, Janssen entre outros. Ex-Vice-Presidente da Sart Dreamaker. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em pesquisa e monitoramento de redes sociais. Sócio Diretor do grupo Boxnet (Maxpress, Boxnet e Todo Ouvidos).

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