Opinião: “Aguenta coração”, por Leandro Massoni

Leandro Massoni | 04/12/2019 15:28
Crédito:Pixabay


De sábado para domingo, em menos de 24 horas, o Clube de Regatas Flamengo conquistava dois títulos: a Copa Libertadores da América, depois de virar o jogo para cima do River Plate, da Argentina, pelo placar de 2 a 1, em Lima, no Peru; e o Campeonato Brasileiro, conquistado após a derrota do Palmeiras, concorrente ao nacional junto com o rubro negro carioca, para o Grêmio pela contagem de 1 a 0, no Allianz Parque. 

A festa foi sem igual. Tanto no Rio de Janeiro quanto em demais localidades do país, como São Paulo, festejaram com tamanho alvoroço as duas conquistas flamenguistas neste final de ano.

Na TV fechada, o canal SporTV que transmitia o jogo de Lima contava com a dupla Júnior e Petkovic, ambos jogadores com passagem pelo Flamengo. O fato inusitado foi a cena dos abraços, mas não entre os jogadores, e sim, entre os ex-jogadores.
 
Os comentaristas protagonizaram a cena, que dividiu opiniões e provocou reflexões sobre o quanto a imparcialidade deve ou não ser presente no jornalismo.

É sabido que a prática da profissão deve ser feita com total imparcialidade do profissional, embora o veículo de comunicação para o qual ele trabalha defenda tais bandeiras e tenda para opiniões que não estão totalmente de acordo com a maioria de seu público-alvo.

Todavia, o fator humanitário inserido e visto principalmente em reportagens televisivas revela que o modo de fazer jornalismo está mais atrelado à produção de entretenimento para a cultura e seus povos.
 
Esta e outras situações semelhantes evidenciam a necessidade de debates acerca da forma como estamos habituados a ver e a conduzir o trabalho jornalístico nas grandes mídias. 

Mas dizer que a cena em que os ex-flamenguistas se abraçam após a sofrida conquista da América por parte do time da Gávea é normal, talvez nem tanto assim.
 
Salvo, é claro, alguns momentos que marcaram o esporte, como a eufórica celebração do tetra entre os inflamados Galvão Bueno e Pelé, e a morte de Ayrton Senna que rendeu (e rende até hoje) depoimentos altamente emotivos do narrador da TV Globo.

Mas daí foram casos distintos do que foi apresentado naquele sábado de Libertadores, até porque envolviam o interesse público de toda nação brasileira e mundial.

Enfim, as discussões sobre os moldes de fazer jornalismo esportivo nos tempos atuais, nos quais coexistimos em um mesmo ambiente que as mídias digitais e seu emaranhado de aplicativos de comunicação, continuarão de qualquer jeito. 

Entretanto, vale muito a pena frisar nesses casos para cada vez mais estimular mesas redondas a respeito dos valores e critérios de noticiabilidade em meio às atuais circunstâncias da nossa área. 

Crédito:Arquivo pessoal

Sobre o autor: Leandro Massoni é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Radioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Jornalista em Campo. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão, e lançou em 2019 o livro "Nacional: nos trilhos do futebol brasileiro".

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