Jornal Marco Zero desperta nos estudantes um novo olhar para o impresso, e o sentimento de ser jornalista

Gisele Sotto, em colaboração | 03/12/2019 16:48
Dando sequência ao Bastidores do Labjor sobre o Centro Universitário Uninter, em Curitiba, o Portal IMPRENSA conversou com estudantes de jornalismo que integram a equipe do Marco Zero, e aqui eles compartilham sua experiência na produção deste jornal-laboratório. 

Na 23º edição do Prêmio Sangue Novo, que reconhece os trabalhos desenvolvidos por estudantes dentro das instituições de ensino do Paraná, o Marco Zero conquistou o primeiro lugar nas categorias “Jornal Laboratório Impresso” e “Projeto Produto Jornalístico Livre”, pelo aplicativo de realidade aumentada do jornal. 

O jornal-laboratório
Jornal Marco Zero
Instituição: Centro Universitário Uninter, de Curitiba (PR)
Professor responsável: Alexsandro Ribeiro
Data de inauguração: dezembro de 2009.
Quantidade de estudantes envolvidos: sete - Patrícia Lourenço, Ivone Souza, Luis Gustavo, Poliana Stefany, Nicole Bek, Sabrina Fernandes e Amanda Zanluca.
Crédito:Sabrina Fernandes
Equipe do jornal Marco Zero com o professor Alexsandro Ribeiro na cerimônia do Prêmio Sangue Novo



• Os bastidores do Marco Zero por Patrícia Lourenço

Como você define o trabalho no seu labjor
No Marco Zero, temos várias editorias, mas costumo escrever sobre cidadania e política. Nos encontramos com o professor/editor para sugerir as pautas, e na sequência começamos o processo de apuração e desenvolvimento da notas. Normalmente levamos três semanas ou um pouco mais para finalizar. Acredito que o Marco Zero aprimorou a minha escrita, trouxe um novo olhar estético e o sentimento de ser jornalista, ainda na faculdade.

Participar do jornal me ajudou a desenvolver essa preocupação com o design e me trouxe um olhar mais apurado. Além disso, justamente por conta das temáticas das reportagens, pude aprender mais por meio de pesquisas. Costumo brincar com os outros estudantes que, mesmo depois de formada, posso continuar escrevendo para o Marco Zero.

A apuração dá forma à pauta
Existe uma diferença entre as ideias no início e o produto final. Já houve pautas em que, antes de começar o processo de apuração já imaginava como ficaria finalizada, ou de que forma escreveria a história, mas aconteceram casos em que a matéria tomou proporções diferentes em virtude das fontes e dos personagens. De qualquer forma, não “deu errado”, apenas ficou diferente. 

No Marco Zero, ficamos livres para buscar as fontes e os personagens que queremos, temos um bom tempo para produzir, e contamos com o professor Alexsandro como editor, que está sempre pronto para auxiliar nos casos de desespero. 

Mudanças são bem-vindas
Como a Uninter conta com muitos estudantes que estudam a distância, é importante termos uma integração com esses alunos. A edição de outubro [de 2019] saiu com matérias dos alunos de EAD, de várias cidades. Acredito ser uma mudança bacana, pois busca valorizar todos os estudantes da instituição. 

Dicas para outros labjors
Acredito que o bom funcionamento e engajamento dos alunos em um jornal-laboratório está principalmente nas mãos do professor responsável, na maneira em que ele irá auxiliar a produção e de que forma será feito esse contato. Acredito que muito mais do que o meio, estilo e possíveis assuntos a serem abordados, a forma de trabalho seja o mais interessante. No Marco Zero temos autonomia mesclada com incentivo.

• Os bastidores do Marco Zero por Ivone Souza

Fatos curiosos
Fui realizar uma matéria em uma aldeia indígena. Sempre gostei dessa cultura, mas estar no meio deles, embora não fosse um lugar totalmente isolado, foi desafiador. Pois percebi que, apesar de morarem no mesmo espaço, havia certa rivalidade entre eles pelo poder e pela liderança. Portanto, fiquei um pouco apreensiva em fazer perguntas que poderiam por tudo a perder.
  
O que deu muito certo ou muito errado
Acredito que foi uma pauta sobre mulheres militares. Além disso, se encaixa no certo e errado. Pois, conseguir informações com Exército Brasileiro é difícil e demorado, já que é necessária uma autorização do superior. Além disso, nem tudo pode ser respondido e descobri que se tratando de mulher é mais complicado ainda, isso pelo fato de ter poucas na corporação. Mas em relação ao que deu certo: consegui uma personagem para falar.  

Mudanças positivas
O jornal está sempre inovando e fazer as matérias para um jornal impresso em tempos de interatividade e novas tecnologias é sempre desafiador. Sempre gostei do impresso, aliás foi por isso que entrei na faculdade de jornalismo. E as mudanças foram bem positivas desde então. O jornal está se renovando a cada dia, com a realidade aumentada, o QR code, e isso faz com que nós tenhamos que inovar também, tanto nas pautas quanto na forma de pensar, indo além do jornal impresso. 

Dicas para outros labjors
É importante pensar no engajamento, em como fazer com que os alunos da instituição e os leitores do jornal participem das produções e interajam com o jornal. Seria legal também ter uma editoria que falasse diretamente com os alunos, tipo alguma curiosidade que só existe naquele campus.
Crédito:Alexsandro Ribeiro

• Os bastidores do Marco Zero por Luis Gustavo

Fatos curiosos
Foi ter de ir ao presídio de Piraquara, no Paraná, para realizar uma pauta. Foi curioso, pois nunca tinha ido sequer a uma delegacia. 

Desafios 
Trabalhar com a Lei de Acesso à Informação (LAI) sempre é um pouco complicado, principalmente quando o pedido é passivo, e quando solicitei acesso a informações sobre abordagens policiais em praças de Curitiba, tive meu pedido negado, o que causou um certo desânimo, mas no recurso foi aceito. 

Mudanças boas ou traumáticas
A principal mudança foi aprender a gostar mais do jornal impresso. O fascínio pelo rádio e TV não me deixavam aprofundar em outros meios de comunicação. Então ter de escrever para o impresso foi algo bastante importante pra mim. 

Dicas para outros labjors
No processo de seleção das pautas, considero importante avaliar não apenas a viabilidade, como também aquelas que não foram exploradas ou tenham sido pouco mostradas. Dar autonomia para os estudantes é essencial, fazer seguir a pauta por conta, deixar que cada um resolva eventuais problemas, faz com que o estudante amadureça.  

Como você define o trabalho no seu labjor
Aprendizado! Sempre gostei bastante do rádio, mas a produção para o jornal impresso despertou esse faro jornalístico mais aprofundado. Tanto que a minha primeira pauta para o jornal foi sobre o sistema de trabalho para presos. Fui a um presídio, conversei com ex-presidiários, me senti um jornalista mesmo sendo acadêmico ainda.

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