Exercício de cobertura de momento histórico para o país traz lições para os futuros jornalistas

Gisele Sotto, em colaboração | 12/11/2019 15:29
Dando sequência ao Bastidores do Labjor sobre a PUCPR, o Portal IMPRENSA destaca um exercício jornalístico feito pela Fatos Narrativas Midiáticas, a central de produção convergente de conteúdo do curso de Jornalismo da PUCPR. A Fatos funciona como um projeto de contraturno, com participação voluntária de estudantes de múltiplos períodos do curso, que atuam sob a supervisão do corpo docente.
Crédito:Carlos Mazetto/Rede Comunicare

Os estudantes que estão na Fatos foram convidados para cobrir a soltura do ex-presidente Lula, no dia 8 de novembro. Eles foram divididos para estar em diferentes pontos de Curitiba e para acompanhar a movimentação em frente à sede da Polícia Federal. E a produção de conteúdo foi pensada para o Portal Comunicare, Facebook e Instagram, com notícias divulgadas em tempo real.

Esse exercício jornalístico foi acompanhado pelos professores Suyanne Tolentino de Souza, Renan Colombo e Lenise Klenk, que abriram um grupo no WhatsApp para orientar os estudantes.

IMPRENSA conversou sobre essa experiência com a professora Suyanne e com os estudantes Gustavo Barossi e Rafael Coelho, que integraram a equipe responsável pela cobertura.    

Quais foram os maiores desafios e aprendizados nesse exercício jornalístico? 

Suyanne Tolentino de Souza: Aprender na prática, esse foi o principal conceito dessa cobertura e, sobretudo, tomar decisões rápidas – trata-se de um bom exercício para o futuro jornalista, ainda mais nesse momento histórico para o país. Sempre discutimos muito o conteúdo e a forma para que os estudantes entendam a importância da ética no jornalismo e o compromisso que temos com nossos leitores. Dessa maneira, eles compreendem o papel que exercem, e que começa dentro da universidade.  

Outro ponto que considerei bem importante foi que eles perceberam que tem que estar no local do acontecimento e correr atrás. Esse é um exercício que estamos fazendo cada vez mais aqui no curso de Jornalismo da PUCPR.
Crédito:Carlos Mazetto/Rede Comunicare

Gustavo Barossi: Cobrir a soltura do ex-presidente Lula foi uma ótima experiência. A cobertura de um evento que o Brasil e o mundo estavam acompanhando, em clima de muita expectativa, trouxe uma grande responsabilidade, principalmente por estar ainda no segundo período do curso [de jornalismo]. Porém, mesmo com essa “pressão” foi muito bom exercer o papel de jornalista em um momento político tão marcante. 

A experiência de cobrir um evento tão grande, e até mesmo de conseguir uma sonora com alguém de grande influência política como o Fernando Haddad, me levaram à conclusão de que há um trabalho maior em cobrir esses casos, porém os resultados são bem gratificantes.

Rafael Coelho: Eu acho que o maior aprendizado para a gente, pelo menos para mim o que ficou, foi o quão democrático é o campo da informação. Acho que demorou para ‘cair a ficha’ que, apesar de sermos estudantes, o que a gente via valia [como pauta]. Vimos profissionais mais equipados, famosos, e a gente subestimava o que estava produzindo. Eu tirei uma foto despretensiosa da Gleisi [Hoffmann] chegando e mandei para o grupo de WhatsApp. E a professora Lenise [Klenk] destacou “isso é informação, a Gleisi é advogada do Lula, então tem coisa acontecendo”. Partindo disso, gravei um Stories, porque é algo que eu poderia deixar passar. Naquele ambiente de euforia, emoção e ansiedade, com muita coisa acontecendo, nosso maior desafio é selecionar, definir o que é pertinente ou não. 
Crédito:Rafael Coelho

Passei a me sentir muito mais incentivado na minha profissão, e principalmente neste momento, por perceber que eu consigo fazer acontecer agora. Me senti com muito potencial, com o poder de fazer as coisas já.

Veja uma das notas de cobertura no Portal Comunicare, e as fotos feitas pelos estudantes no @RedeComunicare.

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