Opinião: "Injusto, Imperfeito e Ilógico", por Marcelo Molnar

Marcelo Molnar | 12/11/2019 13:32
O mundo que conhecemos é assim: injusto, imperfeito e ilógico. Podemos não entender, e não somos obrigados a gostar. Debatemos a maioria dos assuntos de forma lateral, criando uma percepção errada da realidade e do nosso comportamento. Construímos contextos imaginários perfeitos em nossas mentes, que dificilmente se reproduzem na realidade. Faltam peças neste quebra-cabeças. Acreditamos que nossas evoluções tecnológicas resolverão todos os problemas. Nos iludimos com nossas invenções que nos deixam falsamente poderosos. Fico intrigado quando leio que a inteligência artificial pode reproduzir racismo, homofobia e misoginia. Como poderia ser diferente? Se os algoritmos são treinados por humanos, o resultado será semelhante ao comportamento da sociedade. Existe a expectativa de não ser assim, mas infelizmente esta é a verdade. 

Pobreza, guerra, fome, doenças, catástrofes, criminalidade, violência. Explorando a fundo essas questões, classifico-as em uma categoria comum: são problemas de solução puramente técnica. Portanto, a tecnologia que desenvolvemos deveria ser capaz de extingui-los ou minimizá-los ao extremo, mas infelizmente na prática não é isso que ocorre. A humanidade não permite. Ou pelo menos até o momento não permitiu. Atingimos um nível tecnológico tão elevado que possuímos computadores extremamente poderosos. Em todas as áreas. Porém, ainda insuficientes. A justiça natural ainda ocorre como nas savanas da África, onde os mais fortes se alimentam dos mais fracos. 

Podemos produzir textos, músicas, vídeos e publicá-los em minutos, tornando-os acessíveis a todo o planeta. Marcamos com nossas pegadas o solo na lua e agora nossos robôs fazem o mesmo na superfície de marte, tirando fotos, fazendo experimentos, e explorando o ambiente hostil como extensões de nossos corpos. Conseguimos levar luz à escuridão da noite, comunicação aos continentes antes isolados e inúmeras outras façanhas tecnológicas. Vencemos a lepra, a gripe, o sarampo e incontáveis enfermidades. Se somos tão bons em solucionar questões com nossa tecnologia, qual a razão de problemas tão antigos ainda fazerem tantas vítimas no mundo? Falta algo.
Crédito:Pixabay

A mídia antigamente oferecia ao leitor informação, hoje ela vende liberdade ao cidadão. Mas essa mesma liberdade permite o aumento da circulação de notícias falsas, imagens adulteradas aumentando as teorias conspiratórias. Vários textos já são escritos por máquinas, sem a interferência humana, aumentando a velocidade de produção, impossíveis de distingui-los dos produzidos por humanos. Estudiosos afirmam que a tecnologia aumentou a "manipulação nas redes", exemplificando o potencial da interferência digital em processos democráticos, mas não existe qualquer registro de mudança positiva no comportamento dos políticos. Ou na nossa sede pelo poder. Cinco séculos após Fernão de Magalhães iniciar sua expedição para dar a primeira volta ao mundo, cerca de 11 milhões de brasileiros (7% da população) acreditam que a Terra é plana. Não existe lógica em nossa fé.

Muitos acreditam que somos a imagem e semelhança de Deus. Assim como, os robôs serão a imagem e semelhança dos homens, evoluindo e aperfeiçoando inclusive em seus defeitos. Compreender a complexidade da vida não é nosso forte. Temos a especial capacidade de transformar boas invenções em armas de destruição. Alfred Nobel que trabalhava com a nitroglicerina, explosivo instável ao seu manuseio, descobriu que um tipo de argila poderia produzir um composto sólido e maleável. Nasceu a dinamite. Sua invenção poderia ser aplicada em inúmeros processos, mas foi nas guerras o seu maior sucesso. Assim como o avião, o desenvolvimento nuclear, e vários outros inventos.

É ilógico pensar que a imperfeição humana pode produzir justiça. O fato é que existem muitas outras variáveis envolvidas. Às vezes atribuída a Charles Darwin, a frase “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças” pode não ser verdadeira, mas é inspiradora. Os jovens querem mudar o mundo, mas antes de tudo precisariam entendê-lo. É impossível revogar a lei da gravidade, pois a natureza não permite. Não podemos decretar a igualdade térmica, pois sempre haverá frio e calor. Não adianta buscar o equilíbrio genético, pois beleza, força e saúde serão eternamente variadas. Inútil abolir testes de QI, pois inteligência é relativa. 

As injustiças não ocorrem, então, somente por escolhas pessoais. Nosso olhar não é perfeito. A lógica é apenas um produto e uma experiência humana... Por outro lado, estamos prestes a entrar em uma nova era. A era quântica. Um momento da nossa história no qual os pensamentos têm o papel fundamental na transformação da realidade. Uma simples observação obriga a reexaminar tudo o que parece como verdadeiro. Entraremos em uma área de potencial sem limites, onde ir além é questão de estudo e conhecimento sobre a capacidade da mente que alguns utilizam e outros sequer sabem da existência. Dualidade de ondas e partículas. Partículas que surgem do nada. Velocidades de deslocamento inimagináveis. Entre o certo e o errado haverá inúmeras classificações. No mundo quântico teremos que descobrir o que é justo, o que é perfeito e principalmente o que será lógico.

Crédito:Arquivo pessoal
Sobre o autor: Marcelo Molnar é formado em Química Industrial, pela Faculdade Oswaldo Cruz, com pós graduação em Marketing e Publicidade, pela ESPM. Experiência de  18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação da BrasilConsult, Viscoplan, HAC, SDGroup e Nexial. Trabalhou como analista de Pesquisas de Mercado com institutos como Meta Group, Gartner Group, IDG e CVA, desenvolvendo projetos para o Bradesco, Itaú, Telefônica, Banco Santander, Banco Toyota, UOL, Pão de Açúcar, Editora Abril, Janssen entre outros. Ex-Vice-Presidente da Sart Dreamaker. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em pesquisa e monitoramento de redes sociais. Sócio Diretor do grupo Boxnet (Maxpress, Boxnet e Todo Ouvidos). 

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