Opinião: “Praias Contaminadas”, por Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro | 12/11/2019 12:31
Crédito:Edu Moraes
A ameaça do petroleiro lançar toda a carga no mar é real. Ele leva mais de 80 mil toneladas de petróleo cru, avaliadas em 50 milhões de dólares. A quantidade de óleo é suficiente para provocar um desastre ecológico sem precedentes, com a contaminação da água, das praias e a matança de animais de toda espécie. Os pescadores alertam o governo que não conseguem sobreviver sem o trabalho e que ninguém compra pescado suspeito de estar contaminado pelo óleo. Nem peixes, nem moluscos. Um professor de uma universidade da região alerta para o perigo de se recolher o óleo na areia das praias sem equipamento correto. Pode haver contaminação através da pele. Outro lembra que mesmo sem aparente petróleo na água, pode haver uma substância, o benzeno, incolor e inodoro, comprovadamente cancerígeno. Autoridades são criticadas por não tomarem medidas imediatas, se é que sabem o que fazer uma vez que nem mesmo se tem certeza da procedência do petróleo.
 
O navio tem como destino a China. Ele é um dos suspeitos, uma vez que a rota por onde passa é congestionada de petroleiros que entram vazios nos portos fornecedores e saem carregados de óleo. São uma verdadeira bomba flutuante, e até agora não se viu uma ação internacional para monitorar e assegurar que a carga vai chegar inteira no destino final. Ela pode ser despejada no mar, segundo os técnicos, por uma avaria em um dos imensos tanques, um despejo para equilibrar o navio por algum erro de cálculo, ou mesmo um ataque pirata que sequestre a tripulação e despeje o óleo sob os mais diversos motivos. Dos políticos, a obtenção de vantagens econômicas através de chantagem e ameaças. Pode até ser um ato terrorista. As organizações não governamentais com sede na Europa e Estados Unidos já têm um suspeito, é o governo que não monitora essa rota comercial e pouco se dedica à preservação do meio ambiente. As correntes marítimas são responsáveis por espalhar o óleo em toda a região e ninguém sabe ao certo até onde podem carregar o produto e o dano que provoca.
Crédito:Reprodução / Instagram @salvemaracaipe

A marinha finalmente toma uma iniciativa. Enviou para a região um navio com soldados treinados para a abordagem de outro navio, e helicóptero para transportar a tropa. A tripulação dos petroleiros se isenta de qualquer responsabilidade, uma vez que se escondeu em uma sala segura, blindada e impossível de ser invadida por quem quer que seja. É um dispositivo de segurança necessário, desde que navios são alvos constantes de ações de piratas. Essa tática já evitou que pelo menos outros quatro navios fossem capturados pelos bandidos. Estima-se que 22 tripulantes estão no navio. O assalto para libertar o petroleiro ocorre com a invasão da tropa no navio sequestrado e há troca de tiros. Os soldados russos matam um, prendem todos os outros e libertam os tripulantes. Os prisioneiros vão ser levados para Moscou onde vão enfrentar a acusação de pirataria. Apesar da presença de forças internacionais, 20 embarcações estrangeiras e 400 tripulantes estão nas mãos dos piratas somalis, que infestam as rotas de comércio da região. Até agora ninguém imaginou que possam jogar o petróleo no mar para contaminar as praias do Iêmen.
 
*Heródoto Barbeiro é editor chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma. Acesse www.herodoto.com.br 

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