Opinião: “Jornalismo e humor na hora do almoço, com Jogo Aberto”, por Wagner de Alcântara Aragão

Wagner de Alcântara Aragão | 22/10/2019 15:43
Entre as três atrações de maior audiência da Band, e também entre as primeiras da televisão aberta em seu horário de exibição, o programa Jogo Aberto, no ar desde 2007, vem mesclando na medida jornalismo com entretenimento – mais precisamente, com humor.

Acabo de terminar um artigo, cuja preliminar foi apresentada mês passado no seminário “Cinema em Perspectiva”, promovido pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar) em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), no qual, baseando-se nas teorias de linguagem dos estudos do Círculo de Bakhtin, algumas narrativas audiovisuais do programa foram analisadas.

E a reação dos presentes na sessão de apresentação ratifica o sucesso de Jogo Aberto registrado em indicadores como o Ibope ou os trend topics do Twitter. Uma parte da plateia conhecia o programa – alguns estavam lá justamente interessados pelo tema do trabalho, intitulado “Futebol na hora do almoço: narrativas audiovisuais do Jogo Aberto”. Outra, não, mas se revelou instigada em experimentar, diante dos exemplos trazidos.
Crédito:Reprodução / Band
Reprodução de frame de momento de humor do programa Jogo Aberto

Não só pela mistura entre jornalismo e entretenimento, ou entre jornalismo e humor – afinal isso não é novidade. Ao contrário. Essa mescla está banalizada, em prejuízo da informação. Em regra, os programas esportivos pouco trazem de notícia que interessa; preocupam-se em fazer rir com piadas, trocadilhos e futilidades, disfarçadas de jornalismo. Jogo Aberto, não. É transparente com o que se propõe.

O que despertou a atenção da plateia, e o que vem despertando a audiência dos telespectadores, é como mágica e magistralmente Jogo Aberto consegue promover esse sincretismo entre notícia, análise, opinião e brincadeiras. Sincretismo, por sinal, é a marca das narrativas audiovisuais do programa comandado pela jornalista Renata Fan.

As narrativas se dão a partir da fusão de diversos elementos – as falas dos debatedores, os detalhes cenográficos, as trilhas, efeitos e sonoras inseridos concomitantemente a tais falas; ao entrosamento entre os participantes, e principalmente à preocupação em buscar a realidade factual, condição sine qua non do jornalismo.

Mesmo em tempos de ciberespaço, a televisão aberta se faz onipresente nos lares, bares, restaurantes, lugares brasileiros. Por sua vez, o futebol é pauta de conversas no trabalho, na escola, nas filas, no ponto de ônibus, em casa. Averiguar como a televisão aborda o futebol – que discursos enuncia, que narrativas engendra - é buscar entender como a sociedade reverbera seus assuntos prediletos.

Em tempo 1: entre outros méritos, Jogo Aberto tem o de ser a primeira mesa-redonda da televisão aberta comandado por uma mulher. É assim desde a primeira edição, há 12 anos.

Em tempo 2: o artigo acadêmico sobre Jogo Aberto deverá ser publicado em dezembro, no site do Cinema em Perspectiva

Crédito:Arquivo pessoal

*Wagner de Alcântara Aragão é jornalista e professor de disciplinas de Comunicação na rede estadual de ensino profissional do Paraná. Mestre em Estudos de Linguagens (UTFPR). Mantém um site de notícias (
www.redemacuco.com.br) e promove cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e Cultura, sobre as quais desenvolve pesquisas também.

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